Atelier da lp

  1. Ao desespero.

    Aos poucos.
    Sinto-me forte.
    Decididamente forte.
    Perdôo tudo e não esqueço nada.
    E ainda levo o nosso rancor para
    passear aos domingos pela manhã
    num parque qualquer.

    Me divirto com a pequena idéia imaginária
    e ordinária dos poucos que acharam
    que o peso era muito grande para mim.
    Que zombaram de mim.
    Riram.
    E torceram-me contra.

    Contra o quê?
    Você!
    O que queres de mim?
    Meus rins?

    Estou bem aqui.
    Levando o piano nas costas, literalmente.
    E sem reclamar da dor.
    Os analgésicos fazem-a passar lentamente.
    E os exames médicos tentam nos explicar
    o que ninguém quer saber.

    Nada.

    As semanas passam rápidas.
    E eu sinto-me a cada dia que passa, mais forte.
    Decididamente forte.

  2. A morte de LP.

    Resolvi morrer.
    Porque com a dor que eu sentia, não poderia escrever.
    Não me aliviaria, nem a ti.
    Nem a ninguém.


    E já percebi que de tempos em tempos eu me deleto.
    Por inteiro.
    E não sobra nada.
    Pra mim nem para você.
    E eu realmente não sinto nada.
    Só sinto muito.

    Depois passa.
    Mais rápido e veloz que as horas.
    E de repente, me sinto de novo pronta a recomeçar.
    Forte.
    Com os dois pés pra trás.

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lp

Apesar do nome, pouco sabe sobre música. É formada em Artes Plásticas pela FAAP. Pós-Graduação em Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC-SP. Trabalha com moda desde menina - estilista.
Desenha poesias e gosta muito de escrever.

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