Atelier da lp

  1. Arbitrariamente pensei em solucionar este caso de amor.

    Um jura que amou demais,
    se deu a mais, ensinou mais e foi mais feliz que o outro.
    Outro, não diz nada.
    Não acha nada, nem sente nada.
    Só sente muito.
    Está em choque e perdeu a fala.

    Esqueceu-se de todas as trocas e dos pactos
    que todo e qualquer casal feliz faz ao se apaixonar.
    Perderam-se ali, em primeiro lugar,
    os sonhos sonhados de todos os dias ou noites trocadas.

    Na luz do computador,
    ela não encontrou nada para sarar a dor.
    Revirou a casa, procurando uma razão ao descompasso.
    Enquanto o outro,
    só achava linda a luz da TV azul refletida nela.
    Sempre assim.
    Eram quase platônicos.

    Foi quando o castelo de areia na beira do mar,
    que estavam fazendo para morar,
    desmoronou antes da água bater.
    Um vendaval passou levando alguns grãos de areia.
    Foi o que bastou.
    Ficaram sem alicerce.

    Agora o casal passa os dias olhando para o céu.
    Procurando os tais grãos de areia que
    se perderam ao vento.

    No universo.
    Só estrelas.
    Sem espaço nem tempo.

    Um deles pensou em virar um passarinho
    e sair voando sozinho.
    Montar seu próprio ninho
    numa árvore alta e distante de tudo.
    Mas reconsiderou.
    Já amou demais, se deu a mais,
    ensinou mais e foi mais feliz que o outro,
    para largar sua metade assim, ao meio.

    Começo e fim.
    Infinito.

  2. Com – Fusões.

    Vou vivendo o dia.
    Sem gosto.
    Sem vontade de acordar.
    Sem aspirinas.
    Nem estimulantes.

    Reescrevendo a história que não é minha.
    Por onde estou de passagem.
    Pagando por toda viagem que não fiz.

    Vou levando a vida, tentando descobrir quem somos nós de outro dia.
    Inventando dúvidas, dívidas, correndo e atropelando os nossos sonhos.
    Na nossa cama desfeita.
    Nosso fogão.
    Nossas nuvens.
    O meu chão.

    O barulho e a luz são da televisão.

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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