Atelier da lp

  1. A saudade é duvidosa. A saúde é uma mentira.

    Vivo esperando o adoecer sadio do meu corpo.
    Que a mentirosa medicina tenta adiar.
    Adiantando o adiar futuro presente doente de todos os presentes.
    Nesse mundo inferno.
    O Adiar da dor.
    Sem dor, por favor, porque hoje e
    desde sempre existe a morfina!
    Para o progresso da medicina,
    voltemos à morfina!
    Abolida!

    Os remédios são mentiras vendidas a prazo.
    No cartão.
    De plástico.
    Na era do dinheiro digital.
    Prolongando-nos.
    Endividando-nos.
    E acostumando-nos a consumir todo dia mais.
    Mentira.
    Tática, prática, antiga e inimiga.
    Drogas de drogarias que já não saram,
    mas nos fazem viciar.
    Por mentiras que andam me contando
    desde o dia em que nasci.
    De que tudo vai melhorar.

    Como?
    Se tudo é uma mentira.
    Insana promessa corrompida e desmedida.
    Se a felicidade é uma mentira que eu mesma invento.
    Se o desejo é uma mentira que eu estimulo.
    Se a comida nos mata lentamente com os agrotóxicos mais modernos.
    Se a minha pasta de dentes não deixa meus dentes mais brancos.
    E o adoçante, pode me fazer mal.

    Se o celular, dizem esquenta o cérebro.
    E a minha taboa de carnes da cozinha estava cheia de bactérias.
    Se o amor é um pleno momento de euforia,
    que passa e é absorvido dia após dia.
    E o meu corpo pede calma para suportar o trauma.
    Se os livros são apenas histórias.
    E os programas de TV, ficção.
    Se uma sessão de cinema custa R$30,00
    e o salário mínimo R$300,00.
    Se meus dias são corridos e eu agüento.
    Desmaio de mentira aos domingos,
    na cama, esperando a segunda chegar.
    Se não posso me dar o digno direito de enlouquecer
    deprimida em meu quarto
    porque o despertador toca sem cessar.
    Se não me acho no direito de ter filhos neste mundo
    que inventamos para viver.
    No processo doloroso de crescer,
    concorrer e ser alguém melhor.
    Uma mentira melhor.
    Se o pelo dos meus cães me deixam alérgica.
    Tossindo, sem respirar.
    Ofegante.
    Paro a pensar…

    Se tudo é uma mentira.
    Para que na verdade estamos aqui?

    LP:(

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Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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