Atelier da lp

  1. Não me leia.

    Já sei que prefere me ler feliz.
    Se bem que acho inviável. Já olhou pela janela?
    Mas posso mentir se isto provocar alívio.
    Tudo bem pra mim.
    Porém, felicidade palpável mesmo, só aqui dentro.
    Na minha poltrona preta, rodeada dos meus livros,
    meus desenhos e meu silêncio.
    O pó gelado de São Paulo impregna a casa toda.
    Fuligem de caminhão, carro e ônibus que sobem me visitar no segundo andar.
    E entram sem bater, loucas pra me ver.
    Por isso decidi, vou comprar uma bicicleta e farei uma longa viagem.
    Respirar outros ares.
    Suar frio vendo outra paisagem que não as paredes do quarto.
    Quero sorrir observando outras flores.
    Eu adoro as do supermercado, mas elas são quase mortas.
    Quero coisas vivas. Quero viver bem com minhas verdades.
    Sentir o vento no rosto e que ele seque minhas lágrimas.
    Quero cheiro de mato. De chuva. Terra molhada.
    Quero um campo inteiro só pra mim.
    Minha bicicleta e eu. Mais nada.
    Vou ver se consigo sonhar algo pra nós.
    Enquanto meu cabelo se mexe na velocidade do pedal.
    Vou me impor limites.
    Quero sabores novos e longos períodos de descanso.
    Sei que sou capaz. Só não sou agora.
    Não quero agora.
    Mas fica tranqüila, te fiz um texto feliz.
    Sabendo que tudo se cura com hipoglós, merthiolate,
    sonrisal e algumas palavras doces.
    Doce. Um bom filme. Bons amigos e chá!
    Agora sorria, afinal fiz um esforço enorme ignorando-me por dentro.

    Só Felicidade.

    Meus primeiros dias de solteira feliz
    foram realmente felizes. Pode acreditar!
    Me encantei com as novidades do mundo
    das pessoas sozinhas não deprimidas.
    Foram descobertas incríveis.
    A começar por todas as coisas que se vende no supermercado,
    voltada para este mercado solitário e que eu
    jamais havia dado um segundo da minha atenção.
    Agora ando a procura deles nas prateleiras.
    Porções únicas de arroz, laranjas descascadas cortadas
    ao meio sem caroço e posição de destaque para as chamadas
    saladas “single” que vem lavada em pequeninas embalagens infladas.
    Prontas para consumo.
    Aliás, tudo na vida de solteiro é pronto para consumo.
    Instantâneo. No máximo, vem um AGITE ANTES DE USAR.
    Estou me habituando com a idéia.
    No mais, percebi que não tenho compromisso depois do trabalho.
    Não tenho que chegar em casa porque não tem ninguém me esperando.
    E confesso, não sei se gosto. Tem dias que gosto, tem dias que desgosto.
    Mas acho que é assim mesmo.
    Ando me divertindo com minhas oscilações de humor.
    Se houvesse um gráfico… rs.
    Descobri que posso fazer tudo o que quero.
    E que o que eu não quero, não preciso fazer.
    Que agora, sou só eu quem sofre as conseqüências, assim, só eu me fodo.
    Se eu não quiser, resolvo. Sorrio. Trabalho. Corro. Descanso. Saio. Danço.
    E volto para casa ao amanhecer.
    Voltei a observar o sol nascer. Cheirando a fumaça sempre, infelizmente.
    E mantivemos neste primeiro mês uma relação intensa… O sol e eu.
    Momentos prolongados de prazer na cama aos domingos.
    É o único lugar do apê que ele bate e durante a tarde,
    por isso só nos encontramos nos finais de semana. Mas já é alguma coisa.
    Uma relação. Ahhh, as relações. Foi difícil e não menos engraçado.
    Me vi só. Me vi tímida, crítica, quase chata, egoísta.
    Sem paciência com a pessoa certa, com paciência com a pessoa errada…
    Desesperada aos domingos.
    É o pior dia para quem está sozinho. Domingo é de matar!
    Mas ando sempre a repetir em alto e bom tom,
    para me ouvir e quem sabe me conscientizar:
    “Cada um dá o que pode dar”.
    Se alguém pode me fazer companhia no domingo, ótimo.
    E levando-se em consideração que o sol já vem me ver…
    Maravilha!
    Andei refazendo contatos antigos. Nostalgia total.
    Andei a procura de pessoas que gostam de coisas que eu gosto
    ou que me mostrem novidades vindas de lá.
    Com quem eu possa trocar algo mais do que quatro frases e quem sabe,
    me empolgar e fazer o papo rolar, rolar, rolar…
    Se desmembrar em coisas melhores. Em jantares. Viagens.
    Em almoços. Já pensou? Em almoços de domingo?
    Nossa. Vai ser ótimo. Divertido.
    E feliz.
    Uma felicidade só.

    LP encontrou Maíra de Floripa, Priscilla da Bahia.
    Se divertiu com Cecília e Drizis que embarca no início do mês para Paris.
    Almoçou num domingo de sol com Felipe.
    E vai ficar bem porque tem conseguido se relacionar relativamente
    com as pessoas ao seu redor.

  2. O que eu posso dizer?

    Achei este textinho… Achei que tinha que publicar…
    Belezinha. Mas não tem nada ver com o dia de hoje.

    Nublado e cinzento – da cor da estação.
    Ou seja, como diria minha amiga Drizis…
    “Dia Fashion”!!!
    …………………………………………………………………………………….
    Bem, deixe-me ver.
    Não quero ficar perto de você.
    Não quero mais ter que te ver.
    Não quero ir contra os meus princípios
    só para te deixar feliz ou sem culpa.
    Mesmo sendo eu uma principiante,
    sei bem o chão em que quero pisar daqui para diante.
    Sei também que talvez esta má experiência
    não seja a única na minha vida.
    Não, se Deus quiser será.
    E falando nele, sei que contrario todas as doutrinas católicas
    quando escondo minha outra face da sua mão pesada.
    Não sou boa na arte de perdoar. Confesso.
    Mas nem por isso sinto-me uma menina má.
    Não me sinto pronta.
    Instantaneamente pronta.
    Igual miojo.
    Nas noites mal dormidas ainda sonho.
    Sinto muito, estou apenas me protegendo.
    E como aqui sou só eu…
    O que quer que eu faça?
    O que quer que eu diga?
    Quer que eu fale mais baixo para ninguém ouvir?
    Sim, eu prefiro.
    Prefiro sussurrar.
    Prefiro cuspir.
    Esmurrar a parede do banheiro,
    meu único cômodo com chaves.

    Prefiro que você fale tão baixo,
    mas tão baixo, que não seja possível eu te escutar.
    Prefiro a música alta.
    A TV sempre ligada, em alerta.
    Maré baixa.
    E sem telefone em casa.

  3. Laços Vermelhos.

  4. Só o pó.

    Exaustão.
    Cheguei.
    Depois de um mês buscando-a desesperadamente.
    Então, agora será a hora do descanso sem paz.
    Porque o corpo lamenta, mas não “guenta”.
    Arde.
    Chora.
    Desordena.
    Desonra.
    Distorce.
    Fragmenta-se em pedacinhos.
    Em cacos afiados igual lâmina.
    Lamentos.
    Não levanta da cama.
    Não dorme.
    Não sonha.

    Come sempre a mesma coisa que tem na geladeira.
    Não sente gosto, nem cheiro, nem desejo.
    Nem falta.
    Não tem alta.
    Não grita.
    Nem fala alto o bastante que o faça ouvir os sussurros.
    O corpo padece.
    Mente.
    Adoece.
    E se entorpece com antibióticos da farmácia mais próxima.

    O corpo agradece o descanso.
    A trégua.
    Mesmo sem paz.
    Apático, quieto com pensamentos barulhentos.
    Por todas as dúvidas de outrora.
    Pela música de fundo que não há.
    Por não existir mais nada além dele mesmo e as paredes do quarto encardidas do pó.
    Que enche a vida dela.

  5. Os primeiros dias.

    Nunca sobrou tanto tempo.
    Vazio.
    E percebo que continuo a dormir do meu lado da cama.
    Dividindo meu edredom com o espaço restante.
    Há sobras.
    E travesseiros a mais.
    Mas não reclamo.
    Acho bom.
    Preencho o dia e a noite de
    forma que me perco no tempo.
    Já não sei bem quando foi ontem,
    nem quando será amanha de manhã.
    Quando foi mesmo que cruzei com você da última vez?
    Não me lembro mais.
    Permito-me acordar mais tarde.
    Tomar sol na cama aos domingos.
    Derreter dois quadradinhos de
    chocolate suíço no céu da boca de madrugada.
    E correr quilômetros e quilômetros sem afobar.
    Aliás, correr nunca foi tão importante.
    Permito-me não seguir regras nem horários.
    Nem dietas.
    Só faço o que eu quero.
    Independo do próximo.
    Chega a ser arrogante, mas me policio.
    Leio meu livro que parece não ter fim.
    Pintos meus olhos.
    Alguém que pinte as unhas pra mim.
    Desenho. Preocupo-me com o verão 2008 se aproximando.
    Pego roupas novas. Cintura alta.
    Corto um cabelo tigela.
    Sorrio com as possibilidades a minha volta.
    Dou gargalhada.
    Vou ao cinema sozinha.
    Percebo-me egoísta, mas por enquanto
    isso não será um problema.
    Várias situações me coloco porque
    acho sinceramente que se
    há um momento para vivê-las,
    este é o mais apropriado.
    Busco satisfação pessoal.
    Virei uma droga sintética.
    Um comprimido.
    Mas meu máximo de uso é
    neosaldina pra curar a ressaca.
    Não me encontro.
    Bebo.
    Comunico-me bem no começo.
    Mas basta uma palavra mal colocada que eu inverto.
    Saio. Te deixo. Sumo por um tempo.
    Tipo férias.
    Privilégios…
    Não precisa explicar-me nada.
    Não precisa dizer nada só pra me agradar.
    Se preferir, não precisa nem me enxergar.
    Estou bem aqui.
    Só.

  6. Perdas & Ganhos.

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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