Atelier da lp

  1. Ela carrega um cabide no braço direito.


    Só.
    Sabe que somos livres,
    não pertencemos a ninguém
    e não podemos querer ser
    donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos
    de quem quer que seja.
    Só.
    Leva isso para 2008.
    + alguns vestidos leves de algodão
    e uma dúzia boas idéias para colocar em prática
    no primeiro semestre.

  2. Silêncio! O filme já vai começar!

    Luiza voltou a nadar hoje.
    Foram 2000 metros de metas para 2008.

    [vai listar aqui cada uma delas, mas não hoje]

    Cansaço físico.
    Descanso merecido.
    Ela dignou-se quando já passava das 22h a:

    2 filmes alugados para uma única – SSSCSP -
    Super Sessão Solo de Cinema Sem Pipoca.

    “Amantes Constantes” de Philippe Garrel e
    “Família Rodante” de Pablo Trapero

    Desligar o celular.
    1 copo de suco de laranja para consumir durante, mas
    antes bem derramado na toalha limpa que ela colocou
    sobre a mesa para o jantar rápido de
    1 Salada Single inflável
    3 fatias de queijo branco
    1\2 ciabata do Anquier

    Tudo isso e nada mais.
    Tinha tudo de que desejava…

    Pensamento do dia:
    Desde que ganhei o Ipod,
    minha vida virou um clip.
    Hoje fez-se um trailer,
    só pra variar.

  3. Luzes.

    Na estrada de volta para casa
    ela enxergou a Lua.
    Estava incrível.
    Alcançou a máquina na mochila.
    Fotografou.
    Borrou.
    Os olhos lacrimejaram.
    Conteve-se.
    Não ligou para ninguém para dizer
    que ela era a mais bela já vista.
    Pensou não haver cabimento.
    Parece papo de bicho grilo!

    Irritou-se.

    Luiza tem olhado muito para o céu
    e perdido o foco.

  4. Seu Fígado foi embora antes da festa acabar.

    Foi numa manhã de pouca tranquilidade
    que ela ouviu do Seu Fígado:

    _Não quero mais pertencer a você.
    Você não tem sido boa suficiente comigo.
    Não tem me tratado adequadamente.

    Ela escutou atentamente às reclamações dele.
    Sabe da dificuldade que é trocar,
    equilibrar, se envolver sem doer.
    Tem horror de errar nas relações de afeto.
    Pediu perdão.
    Mandou uma mensagem no celular:
    “Desculpe-me se não tenho sido delicada contigo.
    Feliz Natal”
    De nada adiantou.

    Seu Fígado estava decidido a terminar
    a relação de 28 anos entre eles.
    Mesmo em tempos de festas…

    Luiza está sem beber.
    Faz três dias.
    Sente-se diferente por dentro.
    Azia.
    Sente-se bem.
    Mas acha que vai passar.

    Logo Seu Fígado vai querer voltar.

    E eles serão felizes para sempre?!

    [Ela não tem acreditado nas
    histórias de amor com happy end]

    [Mas conta contos infantis com final feliz
    para sua sobrinha dormir]

  5. Rosa, Dona Edna e o Seu Alzheimer.

    Vovó acredita de novo no Papai Noel e
    perguntou-me surpresa:

    _Como é que ele foi lembrar-se de mim Lu?

    _Ah Nona, ele se lembra de todos esta noite.

    Ganhou de uma das tias uma caixa delicada
    e recheada de pequenos sabonetes.
    Comeu um.
    Caminhou até o quarto de minha mãe indignada.

    _Vera, aquele chocolate que aquela moça me deu
    é um horror. Tem um gosto horrível.

    Está tudo bem.

    Como com crianças,
    não podemos tirar os olhos dela.

    Esqueceu os presentes no sofá
    e foi dormir cedo.
    Gosta mesmo é de sua própria cama.
    Nada a deixa mais feliz.

    Ah, talvez chocolates de verdade!

    Rosa ganhou do Papai Noel de São Paulo
    um carrinho de controle remoto que veio com defeito.
    Agora o Papai Noel vai ter que trocar.

    _E ele faz este tipo de serviço tia?

    _Oh, Oh, Oh. Vai ter que fazer.

  6. Tá na moda!

    Todos eles reclamam
    que ela trabalha demais.

    Ball´s Place
    São Paulo:
    rua mourato coelho, 451 – Pinheiros –
    fone: (11)3814.4960
    rua augusta, 2690 – Jardins
    Galeria Ouro Fino
    2º PISO fone: (11)3082.3821
    Sorocaba: rua da Penha, 1126
    ARP ALAMEDAS fone: (15)32343821
    PARA SABER + DO CURSO LIVRE
    E PRÁTICO DE MODA:(15)3234.3821
    AFF! é a minha agência de figurino
    http://www.fotolog.com/ballsplace

  7. Coração fechado pra balanço.

    [trabalhando muito]

    [divertindo-se muito]

    [dona de uma felicidade absurda]

    [sente-se até culpada]

    [desculpa]

    [(foto by famoso desconhecido)]

    - tomou um café com Canella e comprou para ele o livro do Tim.
    - tomou um chá com Ivan e com ele sorriu mais de dez vezes.
    - almoçou com Theo e ganhou dele 2 cds com suas músicas prediletas.
    - arrumou um paquera novo na madrugada de ontem, um amigo antigo.
    - teve pela primeira vez um mini diálogo no elevador
    com um paquera antigo, talvez um amigo novo.
    - está com vontade de presentear o mundo.
    - comprou calcinhas novas.
    - um DVD para Marina, sua irmã mais velha.
    - vai jantar com Fabi.
    - sair para dançar com os amigos da Pós.
    - vai dar a Adri o tão esperado vestido roxo.

    Sim, ela se contenta com pouco.

  8. Alguns diálogos travados em 2007.

    - Numa esquina da Vila Madalena. Ela corria. Ele pedalava.

    LP _Bom te ver.

    Ele _Bom pra quem?

    LP _Pra mim “ué” que gosto de você.

    (sorriso dela)

    - Num restaurante japonês. Ela almoçava e sua mãe observava.

    LP _Sabe mãe, parece que eles estavam esperando para serem felizes
    e agora que chegou a hora, não conseguiram sentir. Não foram. Não são.

    Mamãe _Mas a vida é mesmo assim filha.
    Não dá para ficar programando a felicidade.
    Pode ser que ela não venha nunca. Talvez esta felicidade não exista.

    LP _É. Mas é bem triste ouvir você dizendo isso.

    Mamãe _É. Mas é a verdade.

    - No carro dela, em frente ao prédio dele.

    LP _ A gente pode ser amigo?

    Ele _Lógico.

    (sorriso dele)

    (questiona-o com a sobrancelha)

    Ele _Estou sendo irônico. Vamos subir tomar um chá?

    LP _Lógico! Estou sendo irônica.

    Ele _Então vamos ali oh, tomar uma coisa.

    LP _Boa noite.

    - Na loja. Elas falavam sobre eles.

    LP _Você acha que ele é feliz desse jeito?

    Adri _Não. Acho que ele sabe bem o que é bom.

    - No banheiro do bar que ela vai sempre para jantar salada de figo.

    Ele _E você está feliz?

    LP _Sim. Sabe, sou meio feliz. Puxei meu pai. Mas e você?

    Ele _É uma fase bem estranha na minha vida.

    (olhos de consolo dela)

    - No mesmo bar, na mesa deles, numa outra noite.

    Ele _Sabe como se faz Lu? Um passo para frente, dois para trás.

    (ela acenou com a cabeça em sinal
    de completo entendimento)

    Mais tarde…

    Ele _ Vamos tomar um café lá na sua ou na minha casa.

    LP _ Não né.

    Ele _ Por que?

    LP _Um passo para frente, dois para trás.

    Ele _Mas não comigo né Lu?!

    (sorriso dela em sinal de por que não?)

    - No elevador da avenida Angélica.

    Maíra _É normal guria, eu já fiz isso.

    LP _É?!

    - A caminho do filme Alemão.

    Maíra _ Já fez isso guria?

    LP _Sim.

    Maíra _Tudo bem falarmos sobre isso?

    LP _Tudo. Desde que não tenhamos que repetir este assunto…

    - Na casa dos pais dela.

    Papai _Coloca uma redinha ali atrás dos seu carro. Verifique o óleo, a água.
    Ah, e calibre os pneus antes de pegar a estrada. Vá com calma!

    LP _Ok Pai. Alguma outra recomendação?

    Papai _Use camisinha.


    - No quarto dela, poucas horas antes dele partir.

    Ele _ Lu.

    LP _ Oi.

    Ele _ E agora, o que eu faço com você?

    (silêncio)

    Ele _Você ficou comigo só porque sabia que não poderia se envolver.

    (silêncio)

    Observação importante:
    Ela não detém tal poder.

  9. Mini consciência do mini ano ou ano mini.


    Final de ano é assim.
    Tempo para rever o que passou e o que está por vir.
    Estabelecer novas metas.
    Renovar as esperanças, porque mamãe a ensinou assim.
    Então, vamos lá!

    Balanço de 2007: Positivo.
    Ela chama de “Ano Mini ou Mini Ano
    Foi bom, não pode reclamar…
    Para início de conversa ela separou-se.
    Mini sofrimento.
    Resolveu viver só sem nunca ter passado
    um dia sequer sem alguém por perto.
    Foram mais ou menos cinqüenta e cinco noites mal dormidas,
    enquanto insistiu em ocupar o lado de cá da cama enorme.
    Espaços vazios, repletos de lembranças.
    Mini memória.
    Ela tem o péssimo hábito de apagar suas histórias.
    Mini histórias.
    Recapitulando; mini histórias,
    que causaram mini sofrimentos e
    perturbariam para sempre sua mini memória,
    que agora ela só quer desocupar.
    É tudo conseqüência.
    Reação. Não tem se dado chance alguma de continuidade.
    Por si só faz pausar.
    Mas a vida não é um filme, sabe ela.
    Tem dias em que acorda e repete para si
    mesma em frente ao espelho:
    _A vida não é uma festa!
    Mini festa.
    Ela encolhia.
    Seus dias.
    Diminuía o tom de voz.
    O coração não sabia por quem e por que palpitar.
    Não morreu.
    Levou sua melhor amiga para Paris
    em meados de julho e esta foi sem dúvida,
    a tarde mais triste do ano. Sentiu-se só.
    Inundou o carro de lágrimas.
    Mini solidão.
    No dia seguinte viajou 100 km para curar-se de toda dor.
    Usou Nona, Rosa, silêncio e cabaninha. Sarou.
    Lembra com doçura daquela tarde
    regada a fanta, mini doces e café.
    Delicado alívio.
    Viveu um mini romance com um querido
    que a ensinou a ser só e introduziu e verbo resguardar na vida dela.
    Ouviu atentamente aos conselhos dele.
    Fizeram uma rota.
    Se fizeram companhia na medida certa.
    Ela é grata por isso.
    Também. Voltou a estudar.
    Fez novos amigos na Pós.
    Depois, fez novos amigos de bar.
    Juntou os da pós, aos do bar e ainda aos clientes amigos,
    aos amigos clientes, a turma de São José, da loja,
    a turma da Ouro Fino, da natação, aos amigos do bairro,
    da Bahia, do Canella e descobriu que…
    É bem boa de fazer amigos.
    Mini novos relacionamentos.
    Ficou imprevisivelmente amiga da Fabi
    e agora elas querem morar juntas um dia.
    Foram diversas vezes comer mini bolinhos de arroz no Ritz.
    Mojitos em abundância!

    Fez mini aparições:
    Com sua prima Taís saiu algumas noites
    e voltou para casa antes das 23h.
    Visitou Laura no hospital.
    Tomou diversos e rápidos cafés com Ruegg.
    Conversou e aconselhou Giu,
    sempre com a pressa pertinente dos dois.
    Visitou a vovó Júlia.
    Almoçou lentamente com as amigas e voltou atrasada ao trabalho.
    Visitou seus pais.
    Em Sorocaba, Lílian a viu correndo sempre.
    Passou em todas as exposições possíveis.
    Na Galeria Vermelho sempre de vestido e sorriso
    (gosta das pessoas de lá).
    Assistiu a quase todos os filmes que estavam em cartaz.
    Recebeu diversas boas surpresas nas lojas.
    Freqüentou as quintas do Vegas, o Hells e os domingos na Loca.
    Os desfiles da Casa de Criadores.
    Os aniversários que foi convidada.
    Casamento da Fer.
    Os lançamentos dos Livros que te interessaram.
    Foi ao Tim Festival, ao Terra e ao Nokia Trends porque ganhou os convites.

    Teve como mini desejo um homem que soubesse
    preparar mini sanduíches; quando a fome batesse.
    Mas tudo não passou de um sonho.
    Mini sonhos de padaria.
    Digeriu após a ingestão.
    Percebeu que, de verdade não queria ter nenhum homem por perto
    quando a fome lhe batesse; para ela, uma pizza resolve e não reclama.
    Viveu novos mini romances, por conseqüência, reação e curiosidade.
    Passou a freqüentar um só lugar logo depois do trabalho
    onde o jantar predileto é a salada de figo.
    _Pode ser meia?
    Mini salada.
    Agora a chamam de “hostess” e
    sua amiga Adri virou a “cherente” da casa.
    Além de sua melhor companhia…
    Elas não pegam fila e pedem pizza quando cansam do cardápio.
    Juntas fundaram o Clube da Fofura e
    a sede é lá na Teodoro Sampaio.
    Conheceram Ivan que tem medo de fantasmas.
    A casa mudou de formato.
    Agora tem flores bem perto da janela.
    Um famoso que vive a olhar por entre as cortinas de sua sala de estar.
    Zebra!
    E o piano, ficou calado de canto. Tímido.
    Reúnem-se as terça para tomar vinho,
    água com gás e beliscar mini comidinhas gostosas.
    Mini rúculas.
    Mini cenouras.
    Mini tortas.
    Mini doses de tequila.
    Mini tacos
    que só o Maurício sabe preparar.
    Teve participação especial nos mini surtos de stress
    de Maíra que foram espaçando com o passar do ano.
    Má arrumou um namorado.
    Um professor universitário e agora eles são os únicos
    membros do Clube da Fofura Ácida.
    Ou Fofúria como denominou Estevan Spielberg outro dia.
    Fez vários desenhos com nanquim.
    Desenhou vestidos de algodão.
    Fotografou-os.
    Desenvolveu mini produtos para enfeitar as meninas.
    E pra finalizar, uma sacola para seus clientes
    deixarem de usar as de plástico no supermercado.
    Fez mini vídeos de sua avó.
    E se existe algo que ainda a emociona é isso, Dona Edna!
    Gargalhou em volta de uma mesma mesa ao
    som da vitrolinha vermelha que adquiriu tempos atrás.
    Aliás, foram várias as mini aquisições.
    Comprou muitos chicletes de misk lá no centro.
    Lacinhos para o cabelo.
    Sapatinhos vermelhos.
    Brincos de pérolas.
    Um boné listrado.
    2 pares de tênis para ficar com os pés bem confortáveis.
    cds, dvds e muitos livros.
    Copinhos para tomar vodka.
    Uma pequena taboa de carne de vidro.
    Parou de comer carne.
    É quase vegetariana, mas não gosta do título.
    Hoje pela manhã disse que queria agir com normalidade.
    Ser igual sem igual.
    Adora sentar na cozinha com sua mãe e lhe contar as últimas.
    Adora tomar cerveja com seu pai e lhe contar as últimas.
    Adora ter seus irmãos por perto para trocar e ansiar pelas últimas.
    Adora o bolo de chocolate com amêndoas da tia Cláudia.
    Sua mini aproximação com Lavínia.
    Sua ligação eterna com a tia Rose.
    Os mini diálogos trocados com tio Sérgio.
    E por incrível que pareça está feliz com a chegada do fim.
    Afinal, é um tempo bom para quem
    está carente de abraços íntimos.
    Vai apertar todos em excesso.
    Até ficar roxinho.
    Igual aos mini roxos que insistem
    em habitar suas pernas brancas.

  10. Um sofá para 4.

    Acabei de chegar do cinema.
    Foi uma “Viagem a Darjeeling”.
    Saí sorrindo.

    Feliz por ter dois irmãos.
    E querendo ter três filhos.

    Melhor Luiza ir dormir…

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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