Atelier da lp

  1. O melhor que não planejamos.

    _Você imaginava terminar seu ano assim?
    perguntou à ele a caminho do aeroporto.
    _Não mesmo.
    respondeu sorrindo.
    _Mas nem eu.

  2. Ele trouxe muito tempo pra nós.

    Dentro de uma mala.

  3. [pausa-para-bólica]

  4. pragmatismos dela – 02:

    Sobre o amor:
    “Acho que não sei conviver com mágoas antigas.
    Prefiro dar a chance de outras pessoas me magoarem.”

  5. pragmatismos dela – 01:

    Sobre os sapatos que o jornalista
    atirou no ainda presidente Bush:
    “Mas porque ele não deu um tiro logo?!”

  6. Faz tempo que acredita nisso.

    está escrito na parede
    bem perto dos travesseiros.

  7. No Balanço do Ano.

    Chacoalhou.
    2008 foi cheio de altos e baixos.
    Idas e boa vindas!
    Fique à vontade. A casa não é sua nem minha.
    É aluguel.
    Sem despedidas.
    Quase caiu. Mais de uma vez.
    Passou por sete meses mal dormidos.
    Sonhando tudo pela metade.
    Comendo pouco.
    Correndo muito.
    Querendo o que não lhe pertencia.
    Desejando o que não podia.
    Amando.
    Estudando.
    Desenhando.
    Percebeu-se meio autista,
    fechada em seu mundo de traços.
    Fina.
    Um dia olhou-se no espelho e
    viu que não tinha nem peito nem bunda.
    Só pintas.

    No balanço do ano,
    assume investidas em seu lado mais
    dramático – trágico – cômico.
    Alimentou-o.
    Mas termina 2008 segura de que
    não quer mais viver assim.
    Certamente, como diz Caetano.
    Agradece aos amigos que lhe trouxeram músicas
    novas para sempre alegrar esta casa.
    Que por hora ainda vive vazia à sua espera.
    Clamando por seu barulho.
    Ouvindo o silêncio dela.
    Morto.
    Pensamentos.
    Pregados nas paredes preenchidas de poesia.
    De carinhos compartilhados.

    Percebeu neste ano que bom mesmo
    é ter você por perto.
    Que quando é de verdade,
    dá se um jeito de viver uma paixão.
    Que sempre dá se um jeito para tudo.
    Que és imatura.
    E que por isso acha que pode tudo,
    que tudo se resolve.
    Ou melhor, é pior; “ela resolve”.

    Percebeu numa tarde a caminho do aeroporto
    que os pais sempre confiaram demais nela.
    Que podiam, mas talvez, não deveriam.
    E que por isso, o medo de decepcioná-los
    a perseguiu continuamente, o ano inteiro.
    Dormia com ela.
    O medo de errar.
    Mas que mesmo amedrontada,
    errou diversas vezes e
    se culpou e depois errou por se culpar.
    Virou uma bola de neve.
    Se Papai Noel existisse, lhe traria um presente.
    Mas no atual momento encontra-se bem, obrigada.
    Não precisa é de nada.
    Nada à desejar.
    Só os cuidados teus.
    Pois continua chorando no trânsito.
    Por lembra-se de você.
    E de você e de você.
    O tempo inteiro.
    E quando chove, piora.
    Recorda-se daquela,
    aquela e aquela outra situação que passou.
    Congestionamento.
    Mas tudo passa.
    Parece ouvir sua mãe dizendo
    bem na virada de todos os anos
    num abraço apertado com sua voz confiável e trêmula:
    _Minha filha, tudo passa. E o ano que vem será melhor.

  8. Deus me perdoe!

    _Moça gostaria de dar uma olhada neste trabalho que faço?
    _Não.
    _Mas são salmos de Deus.
    _Não.
    Repondeu sorrindo enquanto
    pensava timidamente baixinho: “FODA-SE!”

  9. Se vê, meio autista.

    (fenómeno patológico em que o Eu ocupa o primeiro plano)

  10. Pensa!

    Quem pode, pode.
    Quem não pode, pede calma.

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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