Atelier da lp

  1. domingo

    Num dia cheio de coisas para fazer.
    Ela não consegue.
    Seu corpo é quem manda.
    Ela apenas obedece.
    Mas a culpa é maior que tudo isso.
    Vontades e desvantagens.
    Sente-se então, agora, neste exato instante,
    devendo a si própria.
    Pode?

  2. Para enfeitar as paredes!

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  3. Numa pequena entrevista:

    _Agora, conte-me algo que seja impublicável de sua vida.
    _Hummm… Impublicável?
    _É! Algo de que se envergonhe ou
    que ninguém saiba. Algo curioso sobre você!
    Pausa.
    _Olha vou te dar um exemplo. O “fulano ali”
    contou-me que seu primeiro trabalho foi
    como office boy do Amaury Júnior.
    Silêncio.
    _Mas isso é impublicável?
    _Curioso?
    _Não sei. No meu caso…
    Talvez seja o fato de não haver em mim
    algo que eu ache impublicável. Nossa, acho isso uma vergonha!

  4. Muito além da Malu:

  5. Curta!

    Passamos o domingo juntas.
    Fazendo um filme.
    Caetano, Vovó e eu.

    Ela contou-me repetidamente de sua
    infância e adolescência.
    Falou muito sobre sua casa na capital,
    do tempo em que a Tia Mariana cuidava dela.
    Na rua Teodoro Sampaio e eu acho esta coincidência doce.
    Hoje sou eu quem reside em Pinheiros.

    “São Paulo é transitório minha filha. Cansa!”

    Vovó me deu tristes relatos de solidão.

    “Eu sou viúva!”

    De ausência.
    De tempo.
    Muito tempo.
    E a falta dele para com o restante
    daqueles que habitam seu mundo.
    Seus filhos e netos.

    “Às vezes eles vem me visitar.”

    Mostrou-me suas roupas, seus brincos e broches.
    Uma bolsa vazia.
    Mostrou-me fotos que enfeitam a sala de estar
    onde ela nunca mais havia sentado para bater um papo.

    “A foto serve para relembrar…”

    Sua casa, seu quarto, um banheiro.
    Apresentou-me tudo, como se eu já não conhecesse e
    da forma que ela percebeu o ambiente naquele exato instante.
    Porque no minuto seguinte tudo pode mudar.
    Assim é o Alzheimer com ela.
    Faz tudo transformar, recodificar, reorganizar.
    E de repente aquela casa não está ali,
    a filha dela não é aquela e Luiza não sou eu.

    “Não… Você não é a Luiza.
    É parecida com ela, mas não é ela!”

    E por aí vai a confusão.
    Ou melhor, a fusão de todas as histórias que vovó já viveu.
    Seu filho vira seu irmão, o genro vira primo,
    seu pai passa a ser marido e sua mãe Lydia,
    por incrível que pareça, está aqui entre nós.

    _Viva vó?
    _Vivinha da silva! Graças à Deus!

    E quem sou eu para explicar-lhe as verdades dessa vida.
    Nossa conversa durou mais de três horas.
    Seguidas.
    Gravadas em fitas.
    Imutáveis.
    Amáveis.
    Publicáveis.
    E nossas.

    Necessárias.
    No caminho de volta para casa
    percebi com tristeza que com a doença
    as pessoas deixaram de conversar com a Dona Edna.
    De fato, nossos diálogos não chegam a nenhum lugar.
    Comum só o amor.
    Se isso lhe basta…

  6. antecipado!

  7. LP indica:

    porque pareceu UAU!

  8. A semana.

    Quando a saudade aperta.
    Quando sente-se estranha
    em meio aos mais íntimos.
    Quando tem vontade de silêncio
    e o piano toca desconcertado.
    Quando sai para correr de todas as
    verdades de dentro do peito.
    E elas não saem. Ao contrário, acumulam.
    Quando tudo deveria estar tranqüilo
    e você simplesmente não consegue.
    Quando sente-se incapaz.
    Inseguro.
    Quando a felicidade faz parte só
    das histórias dos outros.
    Quando a fome se perde.
    As vontades fogem.
    Quando seus olhos olham
    e mentem descaradamente.
    Quando você faz parte daquilo
    que inventa para ser sua verdade.
    Frágil.
    Quando sua criatividade passa por cima da vida real.
    Quando todos te apontam.
    Relatam seus erros.
    E você percebe que a vida não é um filme
    nem um desenho. Quando já não existe desejo por nada.
    Nem com o que há de se comer.
    Quando você é o estranho no ninho.
    O patinho feio.
    O excluído.
    Quando sai à procura de similares.
    De derrotados.
    É discutível.
    Duvidoso.
    Desconfiável.
    Quando a fé desapega.
    Quando as lágrimas tornam-se gigantes e pesadas.
    Quando chove.
    Ou o céu está nublado.
    É assim.
    Ainda bem que hoje fez sol.

  9. LP divulga:

  10. 2

    Ela fica em silêncio.
    Ele fica aflito.

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lp

Apesar do nome, pouco sabe sobre música. É formada em Artes Plásticas pela FAAP. Pós-Graduação em Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC-SP. Trabalha com moda desde menina - estilista.
Desenha poesias e gosta muito de escrever.

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