Atelier da lp

  1. Para assistir toda terça-feira!

    AE

    19:30h na TV Cultura
    assista ao programa
    Almanaque Educação,
    cuja direção é de Caetano Caruso.
    O programa, além de lindinho
    é cheio de informação para as crianças!
    E também bemmmm divertido!

    http://www.tvcultura.com.br/almanaque/
    reprisa aos sábados as 11:00h (eee!!!)

  2. Satélite.

    3

    Sou a caçula de dois irmãos, Marina e Francisco.
    E ser a menor tem lá suas vantagens.
    Não sofro de insegurança por exemplo,
    porque sempre tive alguém zelando por mim.
    Desde pequena tinha uma mão maior do que a minha me guiando.
    Um braço em volta do meu pescoço propondo outro ritmo.
    Esqueceram de tirar as rodinhas da minha bicicleta
    e os brincos das minhas orelhas que
    permaneceram os mesmos até os oito anos.

    Ter irmãos mais velhos significa ter proteção.
    Na escola, no bairro, na vida.
    Também significa ter amigos mais velhos,
    lições aprendidas antes do tempo,
    roupas e brinquedos quase sempre herdados.

    Acima de tudo, ter irmão é ter companhia.
    Temos sempre com quem brincar, brigar, trocar e dividir.
    Desde que você percebe-se um ser vivo.
    Que se mexe, mas precisa se limitar ao espaço que
    lhe pertence do banco traseiro no carro de seus pais.
    Cuidar para que suas pernas não ocupem o espaço do outro.
    Senão, da briga! Mas o bom de ter irmãos é que dificilmente
    você se sente só. E seu mundo se expande.
    Lá em casa tinham os discos que eles gostavam além dos meus.
    Gibis e livros que eles gostavam além dos meus.
    Assim como filmes, bolos, biscoitos, festas!

     

    Gente multiplique as festas infantis por três ao ano.
    Os ovos de páscoa, bolas, bexigas, brigadeiros.
    Eu virei “expert” nessas coisas.
    Tem também uma questão de igualdade importantíssima
    na vida de uma criança que com irmãos, acontece naturalmente.
    Quando pega-se piolho, todos pegam. Sarampo, viroses…
    Sentimo-nos desde cedo num mesmo barco.
    Onde é preciso remar para frente.
    Se alguém ali se cansa de remar, aí não há como escapar!
    Todos são convocados para aquelas reuniões chatíssimas
    que nossos pais chamavam de “dever de sentar-se”.
    Só já adulta me dei conta desse nome.
    A reunião acontecia ali mesmo dentro do nosso barco
    onde se discutiam novas formas de continuar a remar
    para frente sem que houvesse desvio no trajeto.
    Rumo ao crescimento.
    Parecia uma grande aventura!
    Crescer com eles crescendo antes de mim.

    O melhor de ser o menor é que quando se chega à adolescência,
    os pais já relaxaram, quase abandonaram o barco. Comigo foi assim.
    Não tive problemas quando quis sair, namorar, morar fora, casar.
    Ninguém nem ligava. Eu já nem perguntava. Fazia.
    Mas não foi assim Marina. Ela, a mais velha,
    cresceu cheia de horários, metas, rotas e ansiedades.
    Vindas de todos os lados em todas as fases da vida.
    E como se já não bastasse é do mais velho a responsabilidade,
    mesmo que inconsciente, de cuidar dos mais novos.
    Neste caso a mais nova sou eu.
    Então, a sorte da minha irmã é que fechada em meu mundo
    de traços e lápis de cor, não dei tanto trabalho.

     

    Era muito amiga de Francisco e com ele brincava.
    Subíamos no telhado, soltávamos pipa e nos virávamos na cozinha.
    Não passávamos aperto… Acho que eu queria ser um pouco como ele.
    Era tão bom nos esportes e meu pai o admirava por isso.
    Eu queria a admiração do meu pai só pra mim e para isso não media esforços.
    Estava sempre atrás de Francisco. Nadando, jogando tênis, futebol
    e suplicando para brincar com o playmobil em seu quarto.
    Mas de pequena até a adolescência, sempre um pouco acima do peso,
    nunca cheguei aos seus pés nas atividades esportivas.
    Francisco era meu ídolo nas quadras e piscinas.
    Fora delas, com cartas, tabuleiro, caderno e canetas
    eu sempre ganhava dele. Era onde eu brilhava.
    E quando eu perdia, estragava o jogo, chorava.
    Espalhava as pecinhas, jogava as cartas para cima.
    Eu, caçula assumo, nunca soube perder.
    Todos se esqueceram de me ensinar isso.
    Fui eternamente café com leite.

    Marina tinha por nós um senso materno irritante.
    Incompreensível na infância e hoje admirável.
    Ela me seguia com os olhos enquanto eu, na maioria das vezes,
    tentava despistá-la. Achava-a controladora demais.
    Mas hoje percebo que tantos cuidados e bons tratos
    me fizeram poder ser a menina mais desligada da turma.
    A mais esquecida, a que andava com a cabeça na lua,
    os tênis desamarrados e os cabelos embaraçados.

    Minhas frases preferidas eram:
    Minha irmã cuida.
    Minha irmã leva.
    Minha irmã busca.
    Marina é a minha irmã mais velha.
    Marina namora fulano.
    Marina namora ciclano.
    Marina passou na faculdade federal.

    Depois passaram para:
    Minha irmã mora comigo.
    Ah, desculpa, é a minha irmã me ligando.
    Está bem Marina, daqui a pouco eu vou para casa.
    Marina já disse, daqui a 10 minutos eu chego.

    Até que um dia, Marina casou, fez família.
    Tinha seu próprio barco pra remar.
    Para frente, sem parar.
    Mas como de hábito, continuei colecionando frases para ela:
    Minha irmã? ela é engenheira!
    Ela constrói prédios.
    Marina traz a Rosa para eu ver?
    Má, está tudo bem aí?
    Ela é calculista.
    E aí Má, falou com papai hoje?
    Que sapato é este?
    Marina, você vai almoçar com a mamãe?
    Aonde você vai assim?
    E o que você faria se estivesse no me lugar.
    Você está ótima.
    Deixa a menina!
    Por que não atende ao telefone?
    Ela é minha melhor amiga.
    Obrigada Marina.

    E hoje, amarrei meu barco junto ao dela.
    Percebo que temos uma longa viagem pela frente.
    Cheia de afeto. De fato. E frases. Em todas as fases.
    Muito bem colocadas. Senão dá briga! Coisa de irmãos…

  3. Ao casal:

    chuva

  4. tô bege!

    bege

  5. eco bag ball´s

    eco bag

  6. A receita.

  7. se ele vier…

    sol

  8. Báh! Barbaros!

    http://www.yossimilo.com/

    Fotografias incríveis?
    Tem aqui!
    Destaque para Simen Johan

    sj-60

  9. Acontece!

  10. para eles, porque ainda chove.

    bermudas

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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