Atelier da lp

  1. A menina e o balão.

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  2. Equilíbrio.

    Estava disposta a começar este texto dizendo
    que meu ano foi de perdas. Mas não posso.
    Porque também ganhei muitas coisas.
    Conquistei por demais.
    Então, foi o ano do empate.

    .

    Mas foi mais um ano difícil.
    Meus amigos, ao lerem esta frase dirão:
    “Ai Luiza, como você é dramática!”.
    Mas são eles mesmos testemunhas do meu aperto no peito.
    Muitas vezes por causa da velocidade do tempo.
    Perdi a conta das minhas reclamações ao telefone:
    “O ano está acabando!” ou “Eu nem vi este mês passar!”.
    Acho que desde março esta frase é minha.
    Agora, de fato, restam apenas poucos dias para o ano virar.
    E nada da minha angústia passar.
    E depois que chegar janeiro,
    sou do tipo que provavelmente fará
    contagem regressiva para o final do ano que vem.
    Acreditem ou não…

    .

    2009 foi dificílimo.
    Igual ao ano passado.
    Parece de praxe. E talvez por isso anseio os dias passarem.
    O que me mantém sã é que papai vive dizendo
    o tempo inteiro que a dificuldade é geral.
    E quando ele diz isso, não sei se a dificuldade é de todos
    ou em todos os setores. Então, mantenho-me ereta.
    Mal durmo. Alerta. Disposta a reagir. À socos e pontapés!
    As perdas me ensinaram a cuidar daquilo que é meu.
    E lutar por aquilo que quero para mim.
    E como sou do tipo que não abandona o barco,
    apesar de saber nadar…
    Eu chego ao final do ano.
    Assim, meio acabada, mas chego!

    .

    Você é como eu?
    Se desespera diversas vezes nos
    365 dias que se seguem novinhos em folha para nós?
    Diga que sim e eu não me sentirei tão só.

    .

    Sou um eterno descontrole. Bebendo na insatisfação
    alheia, não percebo quando a birra é comigo.
    Tendo por dentro uma alegria abobalhada, ingênua, plácida;
    sou emocionalmente abalável. Isso não me faz especial,
    apenas igual aos demais. O que me estraga
    é a minha exigência. Comigo principalmente.
    Flácida de coração e dura na razão, vivo a batalha:
    tentando equilibrar corpo e mente.
    Ou seja, empatar comigo mesma.

    .

    Mas a tamanha dureza exigida por mim de mim este ano
    fora quase insuportável. Fez a vida
    na maior parte do tempo mais pesada do que ela realmente é.
    Desabei. Chorei. Fiquei tonta de tanto fazer conta.
    Trabalhei, trabalhei, trabalhei. Nossa, trabalhei demais este ano!
    Ganhei experiência. Porém não me satisfez.
    Amei, amei amei. Nossa como amei Caetano!
    Um amor enorme. Descrito. Desenhado. Dito.
    De acordo com a revisão ortográfica.
    Aliás, fiquei puta da vida com a tal revisão.
    Aproveitei para rever meu todo.
    Tentei me organizar. Mas só perdi tempo.
    E quanto tempo…
    No trânsito, no banco, na fila do Pão de Açúcar.
    No café da manhã. Em cima da minha mesa de trabalho.
    Caos.
    Não aprendi a lavar as roupas.
    Sujas.
    Faço o branco virar amarelo e o preto virar cinza.
    Como mágica.
    Perdi peso, depois ganhei outra vez.
    Mas ganhei mais do que perdi e por incrível que pareça,
    isso me coloca em desvantagem. Principalmente na hora da foto!
    Eu perdi meu foco em meados de julho.
    Meu RG e a carteira de motorista.
    Esta por conta das multas que ganhei!
    Perdi a licença para dirigir, digerir.
    E depois, tudo bem porque bem no finalzinho roubaram meu carro.
    Roubaram-me também um Moleskine
    cheinho de pequenas poesias.
    Minha paciência, minha coerência e a tolerância.
    Sumiram com estas coisas de mim.
    Talvez eu não as merecesse.
    No entanto, em troca ganhei uma gastrite,
    uma incrível fantasia para disfarçar-me em dias tristes
    e promessas de “não vou permitir”.
    Tudo em vão, só para gerar empate!

    .

    Ganhei diálogos com minha irmã e meus pais.
    Conversas necessárias, de gente grande.
    Palavras de apoio, de amor e de paz.
    Das minhas avós ganhei mais tempo, vida, devaneio.
    Do meu irmão ganhei a ausência,
    algumas palavras mudas e juras a processar.
    Quer dizer, eu o perdi por um tempo. Sofri. Chorei.
    Fez-me perder o apetite. Mas depois, com os meses passando,
    resolvi dar à ele dias. Quantos quiser ou achar necessário.
    Estas coisas que a gente faz esperando algo em troca,
    mesmo sabendo que não devemos por nada esperar.
    Mesmo sendo Natal…
    Perdemos todos nós por enquanto.
    Isso significa empate técnico.

    .

    Dos meus tios e primos ganhei a saudade e eles não
    ganharam nada de mim. Desculpem-me,
    mas a culpa é do tempo. Quer dizer, a falta dele.
    Vale salientar que pensei em todos vocês
    a maior parte do ano com afeto?
    Se não, vale dizer que perdemos de nossa própria companhia?!
    Perdi também Maria, a faxineira, porque de um tempo
    para cá, só ela ganhava. Fiquei tão chateada!
    Mas vão-se os anéis e todos os trocados que
    costumava deixar pela casa e ficam os meus dedos
    e um coração aos pedaços.

    .

    Ganhei uma picada de vespa que me fez perder o humor.
    Muitos novos clientes e amigos. Visitas na minha lojinha!
    E ideias que viraram traços em nanquim preto.

    .

    Do lado de cá, presentes se fizeram.
    Os amigos que me acompanham há anos.
    Nos reunimos, jantamos, dançamos.
    E mais uma família enorme.
    Com direito a duas sogras e dois sogros.
    Não é para qualquer um, né?!
    Ganhei uma aliança em sinal do seu amor.
    Uma casa. Planos.
    Ganhei a ansiedade por fazer meu ventre vingar.
    Uma vontade louca de fazer netos.
    E o melhor, ganhei um avô.
    Logo eu que nunca havia tido um avô.
    Não tive dúvidas em querê-lo para mim.

    .

    Aliás, não ganhei dúvida alguma este ano.
    Só certezas.
    A de que estamos no caminho certo.
    De que nos amamos. Nos ajudamos, compartilhamos.
    Trabalhamos muito. Mas também rimos, choramos.
    Fomos ao cinema. Ficamos de mãos dadas.
    Em todas as horas, nos apoiamos. Telefonamos.
    A gente viveu junto mais este ano.
    Foi difícil, eu sei. Porque houve perdas e desistências.
    Mas tais dificuldades nos uniram.
    E não existe nada maior nem mais importante
    do que esta união entre nós. Só assim somos fortes.
    Vejo-me cheia de disposição para enfrentar o ano que vem.
    Feliz e às vezes triste. É assim…
    Em perfeito equilíbrio.
    Que venha 2010!

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  6. Daquilo que se ouve por aqui.

    por Gabrielle Machado

    Faz tanto tempo que eu não posto que não
    sei nem bem por onde começar, já que não parei de pegar coisas novas.
    Pra ficar mais fácil vou falar primeiro do que estou
    ouvindo agora, enquanto escrevo!
    O Black Kids é uma banda da Flórida que tem me divertido bastante.
    Eles lançaram o álbum Partie Traumatic no ano passado e ficaram
    entre os mais tocados no Reino Unido. É um rock indie super divertido,
    ótimo pra dançar muito em qualquer lugar
    (ultimamente tenho dançado horrores no carro mesmo,
    porque falta tempo pra sair).
    Tem muito anos 80, como não pode faltar, sintetizadores,
    backing vocal feminino que complementa muito e
    batidas e letras animadas. Me lembram muito Matt and Kim, Cansei de Ser Sexy
    e outras bandas que misturam bem rock e música eletrônica.
    As minhas músicas preferidas são: Hit The Heartbreakes,
    Listen to your Body Tonight e
    I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You.
    Outra banda com muita influência dos anos 80 é o Museum,
    mas que usa isso de maneira bem diferente.
    Eles lembram muito Interpol, The Cure e Joy Division.
    Tem músicas mais obscuras e usam mais os sintetizadores,
    mas sem tantas batidas animadas como o Black Kids.
    A banda é da Alemanha e ainda não assinou com nenhuma gravadora.
    As músicas podem ser baixadas no site deles ou no last.fm.
    As faixas que eu tenho escutado mais são:
    Eden, Flowers and Dust (lembra muito Interpol) e
    For The Very First Time.
    Saindo um pouco da música (pra voltar daqui a pouco)
    tenho que falar do filme Once, de 2007, que conta a história
    de um músico na Irlanda e de uma moça que cruza a vida
    dele e o muda totalmente. Pra quem gosta de filmes
    independentes com histórias de amor fofas e música ótima,
    recomendo muito! E pra quem gostar da trilha sonora e do protagonista,
    como eu, será bom saber que ele é o vocalista da banda The Frames,
    e a moça que faz par com ele é a Marketa Irglova, multi-instrumentalista
    da República Tcheca que colabora bastante com o The Frames.
    Ela também lançou dois CDs com o Glenn Hansard, num duo chamado
    The Swell Season, o primeiro chamado The Swell Season, de 2006
    e o último em 2009, Strict Joy. Além disso tem também a trilha sonora
    original do filme, que ela também faz. As músicas são lindas e
    lembram muito Damien Rice, bastante piano, voz suave e gostosa
    de ouvir e letras muito bonitas que podem fazer chorar…
    Mas tem também umas faixas mais animadas!
    Tenho ouvido muito:Trying to Pull Myself Away,
    All the Way Down, When Your Mind’s Made Up (lindalinda),
    Lies, Leave, Fallen From the Sky e Revelate.
    E por último, não é novo, mas não tem saído da minha
    playlist é o Blur, que eu nem sabia que gostava tanto.
    Adoro descobrir coisas boas e perdidas no meu Winamp,
    isso sempre me deixa feliz! Tem uma música deles que
    me diverte demais, a Parklife e tem também as mais conhecidas:
    Girls and Boys, Charmless Man e She’s so High.

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lp

Apesar do nome, pouco sabe sobre música. É formada em Artes Plásticas pela FAAP. Pós-Graduação em Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC-SP. Trabalha com moda desde menina - estilista.
Desenha poesias e gosta muito de escrever.

Ball's place
São Paulo Rua Morato Coelho, 451
Pinheiros
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Rua Augusta, 2690
Galeria Ouro Fino, Térreo Loja 122
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Sorocaba Rua da Penha, 1126
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15 3011.9099
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