Atelier da lp

  1. LIQUIDAÇÃO RELÂMPAGO!

  2. Pati linda de novo…

    pati linda

    imagem: Mandruca
    blusa de babado R$ 99,90

  3. OLha a belezinha!!!

    belezinha

  4. Para os amigos! Porque ainda dá tempo!

    verbo

  5. Pronto. Socorro!!!

    No início da noite de sábado sentiu a garganta doer.
    Os olhos lacrimejarem e a cabeça latejar.
    A amigdalite que há mais de um ano não visitava aquele corpo
    resolveu aparecer assim mesmo, sem ser convidada.
    Acostumada às queixas que ela lhe trás decidiu
    passar a noite no hospital. Um amigo recomendou:
    _Procure um hospital bem legal, afinal é sábado.
    Escolha um bem agitado para te alegrar.

    Fez sorrir os lábios doloridos dela.
    Na vila Mariana, com a carteirinha do plano de saúde
    numa mão e a carteira de motorista vencida na outra,
    sentou na sala de espera. Fitando ora a televisão,
    ora a recepcionista, ora o nada.
    Não via o momento de entrar por uma daquelas portas
    descritas como consultório 1 e consultório 2.
    Deram-lha uma senha. Era número 100.
    Olhou no placar que marcava 94.
    Resolveu relaxar, não havia ninguém ali,
    portanto os números nada representavam.

    Não calçava sapatos, preferiu havaianas no lugar.
    Deixou o soutien em casa. Vestiu um tecido fino
    e solto no corpo, cor de rosa, godê, cheinho de flores miúdas.
    Logo chegou, apitou a sua vez. Número 100.
    Levantou. Entrou no consultório número 2
    e do outro lado da mesa simples sentado
    numa cadeira de plástico estava o pobre plantonista de sábado.
    Deu dó.
    Ele sem olhar para cara dela perguntou:
    _Em que posso te ajudar?
    _Estou com dor de garganta.
    _Teve febre?
    _Não. Acho que não.
    _Deixe-me ver… Abra a boca assim oh.
    _Ahhhhh…
    _Não tem pus ainda. Tome tylenol,
    de 6 em 6 horas e quando piorar você volta.

    O jovem médico então, receitou o medicamento
    rapidamente em um papel amarelinho que até
    combinava com ela e ofereceu a porta de saída.
    Muda, saiu do consultório. Sentiu-se enganada.
    Assinou tantos papéis do plano de saúde antes de entrar
    naquela simples saletinha que no mínimo esperava sair de lá
    com uma receita de antibiótico debaixo do braço.
    Sentiu ódio do médicozinho com cabelos de gel arrepiados
    como se tivesse 16. E quantos anos tinha?
    Foi triste para farmácia e de lá direto para casa.
    Sofreu na noite seguinte. De dor e de febre.
    Mas era domingo. Não havia muito a fazer a não ser descansar.
    Dormiu por mais de 15 horas. Acordou apenas para se alimentar.
    Segunda feira era dia de outra consulta.

    O ginecologista novo que arrumara meses atrás.
    Sim porque, para ter uma consulta é preciso
    marcar com muita antecedência.
    Não existe horário, ninguém tem tempo para você.
    Mesmo que pague por isso.
    Ela havia comprado alguns minutos de um ginecologista só para ela.
    Na Angélica. Que feliz!
    Chegou no horário marcado – 10:15h.
    Com a calcinha mais nova e a garganta doendo sem parar.
    Tomou litros d’água antes de fazer todo o cadastro burocrático
    e assinar todas as vias que o plano de saúde obriga-a.
    Mas o Doutor havia tido um imprevisto, estava atrasado,
    ainda nem havia chegado. Foi preciso aguardar.
    Com muita calma. Numa sala de espera cheia de grávidas.
    E a certa altura ela pensou que teria que deixar todas
    aquelas barrigudas passarem na sua frente, em sinal de respeito.
    Assim como faz nos bancos, ônibus e afins.
    Mas nem foi preciso dizer nada, a secretária do doutor se
    encarregou dessa gentileza.

    Assim, por último entrou no consultório – 12:40h.
    Aparentemente tensa. Porque mostrar a xoxota para qualquer um
    não é a coisa mais fácil desse mundo.
    Ele, um senhor gordo beirando os sessenta,
    percebendo a situação constrangedora que invadia a face dela disse:
    _Esta grávida?
    _Não.
    Silêncio.
    Ela pode reparar que no cotovelo dele
    tinha aquela mesma doença que aflige seu pai.
    Erisipela. Achou que era esse o nome.
    Sentiu então um estranho conforto
    esgotado logo, na próxima questão:
    _Tem menstruado normalmente?
    _Sim.
    _Tem alguma alergia?
    _Não.
    _Caso de câncer na família?
    _Minhas avós, mas elas já têm quase 80 anos.
    _E por isso vc acha normal elas terem câncer?
    _Acho que uma hora todos nós morreremos disso.

    1 silêncio, dessa vez dela.
    1 sorriso dele.

    _Olha, aqui pela sua ficha
    (que constava endereço, estado civil e telefone)
    você é uma pessoa absolutamente normal e saudável.
    Vou te pedir uns exames, mas, não precisa ter pressa em realizá-los.
    Ela logo percebeu que ele não iria examiná-la.
    _Uma última pergunta, sente caroços nos seios?
    _Não. Eu não sinto.
    Seria acusada de assédio se propusesse ao velhote
    ginecologista um exame detalhado de suas mamas?
    Sim porque, era para isso que tinha ido ao médico.

    Continuo encarando-o e sem força soltou na voz rouca:
    _Eu não sou super saudável. Tenho amigdalite.
    _Hummm…Deixa-me ver. Abre a boca. Nossa, vc precisa de um antibiótico!
    _Eu sei.
    _Procure um otorrinolaringologista.
    Disse o velho Doutor num tom bem baixinho.
    _Farei isso.

    Depois do carnaval…
    Pensou ela.
    Quando todos voltarem a trabalhar.

  6. flyer para CB bar

    cb

  7. Desenhinho meu no jornal Cruzeiro do Sul.

    ELA

    Coluna de Anclar Patric . Sorocaba – SP

  8. O feijão da semana.

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lp

Apesar do nome, pouco sabe sobre música. É formada em Artes Plásticas pela FAAP. Pós-Graduação em Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC-SP. Trabalha com moda desde menina - estilista.
Desenha poesias e gosta muito de escrever.

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