Atelier da lp

  1. + de nós nos outros.

  2. nós nos outros!

  3. http://lejeanshere.blogspot.com/

    le jeans

  4. Pássaros para Clarice.

    PC

  5. Sonhe porque preciso.

    Foi no domingo passado que se deu conta de
    que estava sem um sonho para sonhar.
    Surpreendeu. Preocupou-se em seguida.
    Porque para ela, todos precisam de um sonho para viver.
    Ou um problema para resolver.
    E ela, naquele exato instante não tinha nem um nem outro.
    Foi o que bastou para gerar a grande aflição.
    Não sabe o que houve com seus sonhos.
    Também, jamais pensara sobre isso.
    Onde foram parar?
    Se é que um dia realmente existiram.

    Procurou-os pela gaveta do criado mudo.
    Nos rastros deixados na cama que nem fora por completo desocupada.
    Não havia nada.

    Choramingando, chamou por ele, o marido, que prontamente
    respondeu sua pergunta com mais de cem sonhos
    que aguardam ansiosos realização em seu peito.
    Sonhos mirabolantes ou não, ele tinha os dele.
    Ela não tinha nada.

    Estava vazia e por isso fez-se aí mais um motivo para as lágrimas.
    Que molharam seu pijama e secaram ali mesmo. Morreram.
    Com o passar do tempo, enquanto ele lhe detalhava sonhos.

    Contava sobre a vontade de ser pai que está sendo realizada.
    O desejo de fazer um filme. O sonho de estar ao lado dela que se completara.
    As viagens que ainda quer fazer, projetos, direções que deseja realizar.
    E ela, bem… Ela chorava.
    Pois não tinha um desejo sequer para listar.

    Perdeu a capacidade de sonhar.
    Sozinha.
    Não se pode culpar ninguém por isso.
    Tem levado a vida sem tirar os pés do chão, chata.
    Sem ilusão ou doçura. Sem frescura.

    Pensou em inventar sonhos para o bebê que tem na barriga.
    Assim, não deixariam de ser também um pouco seus.
    Mas a lucidez dela falou mais alto que bem baixinho repetiu no ouvido dele:

    _ Seria uma injustiça. É assim que se estraga uma criança.
    Depositando suas expectativas nela. Preciso ter um sonho próprio.

    Olhou ao redor e nada te pertencia.
    Ou nada do que sonhara um dia, estava ali, recheando o ambiente.
    Ou ainda, tudo aquilo que enfeitava o todo, jamais fora sonhado por ela.
    Que apesar disso, vivia bem, feliz, obrigada.
    Até se perceber sem sonho ou problema.

    Foi então, que ele encontrou uma única solução.
    Era preciso sair do quarto. Ver a vida do lado de fora.
    Tirar o pijama e colocar uma roupa qualquer (que lhe caiba) para passear.

    E em São Paulo, passeia-se aos domingo no parque. Lotado.
    Ela não sonha com isso. Nem em seu pior pesadelo.
    Mas foi para lá que ele a carregou. Emburrada, desiludida da vida.
    Misturaram-se aos outros, todos, tantos, cheios de sonhos.
    Tomaram água de coco e viram uma exposição no MAM.

    Não havia tristeza nela.
    Mas um inconformismo.
    Sentia-se oca, numa fase da vida em que as
    pessoas esperam dela plenitude.
    Pelo menos é o que dizem quando a
    veêm passar com sua barriga de quase um metro.

    Aliás, desde que engravidou,
    ouviu tantos elogios esquisitos que começou a anotá-los
    em seu moleskine para tentar entender o que
    realmente as pessoas querem dizer.
    Palavras como repleta, iluminada e reluzente,
    passaram a fazer parte do seu cotidiano.
    Estranho.

    _ Você não gostaria de por exemplo, ter seus trabalhos nas paredes de cá?
    _Não.
    _Você não quer ter seus desenhos publicados? Um livro com todos eles?
    _Não sonho com isso.
    _E as poesias?
    _Faço-as sem que haja nada em troca.
    _Você não deseja mais sucesso com as roupas?
    _Mais? Do tipo, virar uma marca gigante? Não.
    _Não é possível.
    _Não…

    De fato, naquele domingo, se deu conta de que
    jamais sonhara coisas para si.
    Não que achasse isso perda de tempo.
    Apenas não foi estimulada a sonhar e sim realizar.
    Então, na vida foi fazendo. Assim, sem planejamento.

    E para fazer tudo o que julga essencial e
    necessário, precisa trabalhar tanto,
    mas tanto, que não sobra tempo.
    A vida vai acontecendo com ela.
    Como se estivesse num grande rio e a
    correnteza a te carregar.
    Segue amando, vai crescendo, brigando,
    separando, conhecendo, juntando, afogando,
    bebendo, brindando, engordando,
    emagrecendo, desenhando, fotografando,
    esquecendo. Ela vai vivendo.
    Não sei se é o certo, nem mesmo se é mais fácil.
    Talvez, seja só mais um jeito de viver.
    Aceitando o que a vida tem a oferecer.
    Sem pedir nada em troca.

    Mas ao final do domingo, tamanho era o incomodo
    que sentira o dia todo por não ter um sonhinho sequer,
    que colocou a imaginação para trabalhar e do ócio nasceu O SONHO.

    _Agora eu tenho um. Mas, sonho se realiza se eu te contar?

    Ele sorriu, apenas.

    Ela foi se deitar tranquila com o peito cheio de leite e
    de um sonho solo tão simples que se lhe contasse, pareceria bobo.

    Sonha envelhecer com dignidade.

    _O que eu posso te dizer é que meu sonho é enorme!
    Vale por uma vida inteira!

  6. Sou Baleia for you.

    baleia

  7. Para vc acertar no seu pedido!

topo


lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

São Paulo Rua Augusta, 2690
Galeria Ouro Fino, Térreo Loja 122
11 3082.3821
Sorocaba Rua da Penha, 1126
Centro
15 3011.9099
15 3234.3821