Atelier da lp

  1. Revista Moda Moldes / out.2010

    modamoldes outubro 2010

  2. Amanhã teremos um sábado mais doce!

    brigadeiro-da-moshi-e-da-balls

  3. das 5 culpas de ontem:

    culpa1

    culpa2

    culpa3

    culpa4

    culpa5

  4. comer – rezar e amar.

    Depois de nove meses lutando contra os sintomas da gravidez, fui vencida.
    Sinto-me exausta, prestes a dar a luz.
    Percebi o quanto fui tola ao tentar driblar tudo aquilo
    ao que meu corpo reagia. A fome, o sono, a falta de ânimo, o cansaço.
    Meu Deus e que cansaço foi este? Sem fim.
    À mim, inaceitável! Não nos permiti parar, fraquejar, descansar.
    Agora, chorar pode! Por que?
    Também não sei.
    Mas rolou uma coisa assim:
    “eu posso”, “eu consigo”, “eu faço” ou “eu não preciso de você”.
    E como eu “não pude”, “nem consegui”, “nem fiz” e “precisei muito de você”,
    chorei copiosamente estes nove meses.

    Arrumei mais coisas para fazer porque não
    posso sair por aí fazendo coisas e chorando ao mesmo tempo.
    Então, as tarefas contiveram as minhas lágrimas.
    Preenchendo assim cada instante do nosso dia-dia.
    Foi um dilúvio de regras claras: acumular sempre mais e delegar cada vez menos.
    Tarefas, diga-se de passagem, de alta periculosidade
    aos que me rodearam. Perdoem esta mulher grávida, sim?!

    Se antes eu trabalhava 12 horas por dia,
    grávida mantive a produtividade com toda dificuldade
    de alguém que carrega outrem na barriga.
    Eu não queria mudar minha rotina. Por que? Medo talvez.

    Assim, passei nove meses enganando nós duas.
    Levantando-nos da cama quando o que mais queríamos
    era permanecer nela. Distraindo-nos com frutas e comidas naturebas.
    Foram poucas às vezes que nos entreguei ao sorvetes
    ou nos deixei levar loucamente por uma travessa de doces.
    A balança da farmácia em frente tornara-se um monstro
    que todas as noites invadia meu sono
    com o triste propósito de nos amedrontar.
    E ao final da gestação, veja só que ironia,
    mantive-nos na média mundialmente saudável
    do que é aceitável engordar na situação em que estamos.
    Fechamos com 12 kg a mais
    (está certo que ainda falta uma semana).
    Mas, minha barriga nem está assim tão gigante.
    Clarice tem mais ou menos 3 kg.
    E os outros nove estão na minha bunda e pernas roliças.
    Fazer o quê?! Chorar talvez.

    Em contrapartida eu não incho, não vomito,
    nem desmaio. Nem respiro. Enfim, somos normais!
    Tivemos uma gravidez tranqüila, para não dizer sem graça.
    Nada de estranho nos aconteceu. A pressão manteve-se estável.
    Baixa. Não é uma piada?
    Como disse o Dr. ontem “Graças a Deus!”.
    E eu corrijo, “A Deus e a balança-monstro!”.

    O médico agora ri de mim. Ele está sem dúvida, mais feliz.
    Confiante de que eu vou expelir meu bebê ali por baixo,
    naturalmente. O que parece-me inviável.
    E eu continuo desconfiando dos elogios dele.
    E dos de Caetano também – o bom marido!
    Não me convencem.
    Aliás, nenhum elogio masculino me que cai bem
    nos dias de hoje. Por que? Porque sim!
    Olhe bem para mim! Estou redonda!

    É o fim! Faltam poucos dias para tornarmos três de vez.
    E isso ao mesmo tempo que me faz alegre
    ao ponto de chorar (outra vez), deixa-me cheia de receios.
    É um mistura louca de sentimentos que eu nem sei como explicar.
    Porque é físico. Dói o amor que eu sinto. Literalmente.

    Sei também que o que eu poderia ter feito, já fiz.
    O que eu deveria ter organizado, ficou para traz.
    Nada mais importa.
    Só ela.
    Seu pai.
    Nós.
    De preferência a sós lidando e
    bancando nossas escolhas. Parece fácil?

    Já falei que eu tenho pavor da hora do parto?
    Dizem que é o medo mais comum. O da morte.
    Ainda que remota, acho que deveríamos conversar sobre isso.
    Sem esta de que para morrer basta estar vivo!
    O problema é que só eu acho que deveríamos incluir
    esta pauta no jantar. Sendo assim, não há diálogo!
    Fingir parece ser a melhor saída aos demais.
    Então, por favor, indiquem-me onde está esta saída?
    Quero ficar confortável com vocês, nessa zona tranquila.

    Não sou, nunca fui calma com minhas expectativas.
    É tudo fachada o que vêem daí. Mas faremos assim,
    para alegria de todos ou quase,
    vamos esperar pelo parto sem tocar nesse assunto. Proibido!
    Até lá, talvez eu aprenda a rezar.
    Vou pecar com gula sem medo.
    Certa de que eu sempre soube amar vocês.

  5. Justificando meus defeitos:

    mulher-da-sua-vida

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lp

Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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