Atelier da lp
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Tenho me esforçado para guardar as lembranças.
No meio do caos que é viver em São Paulo, no outono,
com duas crianças pequenas, de pulmões frágeis…
Sempre há um minuto do meu dia que dedico à você.
Ou você à mim.Na cozinha, o vapor da comida sobe e eu inevitavelmente recordo de nós.
Do teu cheiro, suas habilidades e do seu amor.
Do Macarrão fresco que você fazia.
Saía de uma velha máquina de ferro presa na ponta da mesa.
Aquela mesinha de madeira, que na verdade era de MDF
e ficava encostada na parede de azulejos rosa ou bege.
Qual era mesmo a cor dos azulejos?Em dia de massa, colocávamos a mesa mais para o centro,
porque precisávamos de espaço. E tomávamos conta de tudo.
Tantos eram aqueles finos fios de macarrão prestes a serem devorados.
E quantos foram os dias em que eu me perdi contigo naquela cozinha?
Uma infância inteira.
Observando seu trabalhar.
As mãos delicadas e gordinhas que jogavam a farinha sobre a mesa.
Havia ritmo e diálogo entre nós.
Era lindo de se ver.O Alzheimer levou você e junto as suas receitas.
Seu maior tesouro, creio eu.
Não existe ninguém no mundo capaz
de repetir o sabor da coxinha que a Dona Edna fazia.
Nem da bala de goma. Perfeita, exata e doce.
Quando dei conta, você já não queria me contar
sobre seus segredos e ingredientes.Ficou então uma saudade enorme.
Destempero.
Uma falta. Um respeito. O silêncio.
Quebrado pelo barulho das minhas panelas.
Ando cozinhando, sabe?!
Quase uma homenagem – diária.
Enquanto seus bisnetos brigam pela balança no canto da sala.
Conforto a barriga, encostando no fogão.Lavo a louça.
Faço um bolo.
Sopa.
Molho de macarrão.Recordo-me de boa parte de seus conselhos.
Dois dos seus bordões.
E sorrio sozinha.
Mas não consigo lembrar da cor dos azulejos.- 17 de maio de 2013
- 19:52
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você | eu | nós
Sobre este meu amor por você.
Que estava por aqui.
Jogado pela casa.
Espremido na estante de livros empoeirada.
Ou atrás do sofá.
Na frigideira suja do seu ovo de manhã.
Eu percebi a ausência dele.
Dentro da xícara de café puro que você sempre diz ser muito grande pra mim.
Enxerguei através do copo de suco de laranja vazio.
A sua falta.
Há dias.
E descobri que preciso desse nosso amor de perto para
fazer meus dias terem começo, meio e fim.
É você quem faz meu tempo.
Que me chama para jantar e depois me arrasta pra cama.
Eu podia fechar os olhos.
Eu dormia com os meus pés encostados aos teus.Descobri essa minha saudade numa dessas noites frias.
E chorei bem baixinho para não acordar a tosse deles.
Deitada no cheiro do seu travesseiro.
Me dei conta de que sou sua, faz tempo, por vontade própria.
Mas que agora eu preciso conseguir ser eu sem você por cinco dias na semana.
Só. Vinte dias no mês.
Te desejando de longe.Eu me arrumo pra você.
Enfeito- me. Os cabelos.
Escolho as minhas roupas.
E a todo instante em que te tive dentro dessa casa,
acho que me distraí demais com os brinquedos espalhados,
com as contas penduradas na geladeira
e as papinhas grudadas no tapete da sala.
Te poupei olhares.
Trabalhei mais do que deveria.
Quando queria mesmo era aproveitar da sua companhia.
Mas eu, sempre tão cansada…
E havia entre nós um excesso de tempo.
E de amor.
Quase um desperdício.
Nos dias de hoje…
E amanhã ainda é quinta-feira.- 1 de maio de 2013
- 19:24
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2/4
É preciso falar de nós dois.
Mesmo que não pareça apropriado.
Se tiver um segundo para mim.
Na verdade eu queria trezentos segundos só para mim.
Se eu tivesse estes 300 segundos, dividiria com você e o silêncio.
Se chovesse, seria o cenário perfeito.
Nós dois e a chuva. Ah, e o silêncio.
Mas eu preciso falar de nós dois.
Precisos. Vou falar bem baixinho.
Da minha admiração por você.
Eu queria te dizer, bem, antes de você dormir.
Da sua importância e meu carinho.
Preciso te deixar ciente das verdades que sinto.
Porque aquele nosso amor, lembra?!
Que parece não mais só a nós pertencer.
Me dê 5 minutos de você.
Quero convencer do meu bem te querer, hoje.
Será possível?
Quer saber?
De nós.
Já passam das 23h.
Seremos ininterruptos.
Porque o telefone não há de tocar a esta hora.
Nenhum bebê chorará, já que só os fizemos
dormir poucos minutos atrás..
Vem, quero saber o que tem passado.
Quero ter meus olhos cansados atentos e só em você.
Parados.
Vou te falar dos meus desejos.
Te dizer que te amo.
E aí então, podemos dormir.
Amor.- 4 de fevereiro de 2013
- 23:02
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dos sentimentos comuns . . .
- 31 de janeiro de 2012
- 16:05
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(o amor)
Minha família é feita de tios e primos inventados, além dos de verdade.
Uma sobrinha perfeita, duas avós teimosas e uma irmã talentosa.
Meus pais são feitos de afeto e os amigos deles, estes tios de mentira,
são feitos de lealdade.Porque nunca vi uma amizade assim tão grande como a deles.
Tio Cláudio e Beth, Cris e Celso, Nilza e Beto, fazem parte da nossa história.
Né Bel?! E ainda tem a Lucila, a tia Marita, a Nora e a Tereza que voltou pra cá!Sueli e Rose são as tias fantásticas, atentas a todos nós.
Casadas com Lindolpho e Jorge respectivamente, a quem tenho enorme gratidão.
Lá do clube, se eu bem me lembro (e eu bem me lembro),
ainda tenho uns tios de mentira que há tempos não vejo,
mas que foram responsáveis por muitos dos meus bons verões.Tio Ronaldo e Marialva por exemplo,
tinham uma casa em Itanhaém onde por vezes
vi a chuva no mar e fiz castelos na areia.
O Renato é um amigo do meu pai que apoiou-me nos estudos.
Me deu força e direção para acertar ou aceitar, sei lá.
Meus padrinhos cuidaram dos meus dentes. Impecavelmente!
Meus primos cresceram e se formaram.
O Fuinha continuou sendo parceiro do papai no tennis
e a Fernanda já prepara o segundo casamento, da caçula.Agora vejo, quase todos fizemos filhos!
E fazemos festinhas de aniversário como antigamente.
Virou “remember”.
Dia desses, dentro de um buffet em Moema
fiquei me perguntando como é que nossos pais conseguiam fazer tudo por todos nós.
E ainda faziam as fotos!
E bolos decorados.
Festas incríveis na sala de jantar,
exibindo vestidos lindos de algodão feitos especialmente para ocasião.
Naquela época não tinha piscina de bolinha,
mas um monte de gelatinas enfeitando a mesa do bolo.
Houve uma festa lá em casa em que nós crianças enchíamos
os copinhos de papel direto no filtro de barro recheado de kisuco.
Era mágico!
Assim como o bolo com a bandeira do corintians para o Francisco
e o de gato da Marina. As balas de coco da Dona Edna
são um capitulo a parte na minha memória.
Lembro dela estigando a goma, cortando em cubinhos e
jogando uma a uma numa tigela com água gelada.
Ali do ladinho, eu roubava as balas afoita,
antes mesmo de esfriar.
Queimei a língua inúmeras vezes.
O que me faz pensar que, família é exatamente isso.
Um tipo de AMOR que se come quente.E lá em casa, quando a correria deixa,
nós nos reunimos, com propósito de amar,
se possível sem se queimar, afinal é domingo…
Posso ouvir minha mãe chamar:
“venham todos, o almoço está na mesa. Não deixem esfriar!”
(o amor).- 12 de setembro de 2011
- 11:25
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com você . . .
- 24 de agosto de 2011
- 15:49
- 1 comentário
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livro de ilustras de amor
- 14 de junho de 2011
- 15:49
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Com amor, .
Desde que você nasceu, ensaio.
Mas não sai nada de mim além do leite e alguns sorrisos cansados.
A alegria está aqui dentro, guardada pra nós.
Mas a ideia de ser feliz agora enche meus pulmões.
Só os pulmões.
Vejo-os inflando igual bexiga e voando para o alto no fim do dia cinza.
Cheio de chuva.Estamos exaustos de amor.
Não fartos. Mas a exaustão também gera em mim uma certa tristeza.
Isso desde sempre. Choro quando estou cansada.
A mesma tristeza que se dissolve a cada sorriso seu. É um ciclo.Você nasceu depois das quarenta semanas.
Foi uma surpresa. Não entendo como fui pega assim, desprevinida
se estivemos à sua espera por longos nove meses.
Não foi natural.
Estávamos numa festa depois de um dia todo de trabalho.
Uma festa na casa do “Biso” com todos os amigos dele em volta da mesa,
que estavam lá justamente por causa de você. Queriam ver o barrigão da mamãe.
E por pouco não o perderam. Porque de repente, você
passou a dar sinais de que queria nascer.
Eu quase morri de dor. Fui ao banheiro milhares de vezes.
A bolsa estourou e corremos pra maternidade.Fizeram-me um corte e o anestesista (que parecia ter dezenove anos)
teve que subir em cima de mim pra te botar pra fora. Doeu.
Eu derrubei uma única lágrima e meia assustada de emoção.
Desculpe, mas estava em choque. Pronto!Éramos três. Somos desde então.
Vivendo a melhor história de amor dos últimos tempos.
Com tudo o que temos direito.
Não sobra nada pra mais ninguém e nos faltam horas
para vivermos o que um dia fomos nós dois.
Às vezes rabisco um pouco da gente,
que é pra te lembrar Caetano,
que daqui para diante será preciso planejar.
Até mesmo pra gente namorar um pouco.
Logo eu, que nunca fiz um plano sequer na vida.
Estou tendo que me organizar.
Agenda, horários, pediatra, mamar, arrotar, trocar…
Novos ritmos e silêncio por favor, a bebê está dormindo.
Descobri que gosto do silêncio justamente quando ele me falta.Nos primeiros três meses Clarice – a bebê, vomitou em mim copiosamente.
Com cheiro e sem dó. Disseram-me que era normal.
Mas não pra mim. Ela mais parecia o exorcista jorrando todo leite
ingerido segundos após mamar.
E lá estava eu de novo, disposta a te alimentar
até que o leite perdurasse em seu mini estômago.
Assim, dias feitos de pura insistência foram passando.
A cicatriz foi se formando e você, minha bebê, foi crescendo, se desenvolvendo.
Começamos então a introduzir novos alimentos no seu dia-dia.
E como de costume, você recusa todos eles.
Exceto aquela bolacha de chocolate que ninguém sabe que te dei.Como previa o médico, sem o uso do método “deixa chorar”
você continua sem dormir. Como aguenta?
Disseram-me que é normal, mais uma vez.
Mas que depois do sexto mês, você deveria, como a maioria,
se entregar ao prazer do sono. Hã?
Estas previsões definitivamente não funcionam contigo.
Nem chupeta e mamadeiras.
Seu peso não bate com a média na sua idade, nem sua altura.
Ou seja, estamos fora da moda do mundo dos bebês e tudo bem.
Nunca prestamos muita atenção mesmo nele.
Nunca lemos um livrinho sequer.
Vamos levando a vida através do meu instinto materno animado.
Eu estou animada! Né?!Desde do dezesseis de outubro do ano passado,
seu pai e eu vivemos apenas pra você.
Já sabíamos que seria assim.
Quer dizer, eu sabia que seria mais ou menos assim.
Na verdade, achava que era um pouco mais fácil.
Poxa, minha mãe teve três! As pessoas tem filhos! Então…
Achava que eu seria uma mãe incrível.
Que você seria uma criança fácil, feliz e forte.
Por enquanto você é feliz e forte. Só não é fácil.E eu achava ainda que daria conta de tudo.
Que tudo continuaria exatamente como era antes.
Mas confesso, eu estou me arrastando.
E quando chega a noite eu até tremo.
Passei a sonhar com seus pesadelos.
Quando tudo e só o que eu mais quero é fazer você feliz.
Só. Fazer vocês felizes por inteiro e para sempre.Os outros me olham e dizem “são
fases, estas mais difíceis.
Que passam depressa e a gente logo esquece.”.
Dizem mais, que logo sentirei falta desse corre-corre,
de todas e tantas lágrimas.
Eu duvido disso também porque, eu, assim como Clarice, não sou previsível.
Não sentiremos falta das dificuldades.
Talvez da tranqüilidade que parece nunca mais estar por vir.
Porém, eu amo muito vocês, perdida e loucamente, mesmo assim.
E choro.
Porque estou exausta. Mas não farta.
Desse nosso amor.- 9 de junho de 2011
- 17:37
- 4 comentários
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Borboletas para Clarice!
- 5 de janeiro de 2011
- 9:02
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Caetano Canta.
- 21 de junho de 2010
- 20:01
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