Atelier da lp
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6:32h am
Todos temos problemas. Somos doentes.
Vivemos numa sociedade doente.
Onde só não vale fazer de seu problema exceção.
É preciso olhar ao redor e encontrar os semelhantes.
Aqueles cujos problemas combinam com os seus.
E em cada fase de sua vida, mudam os problemas.
Vive melhor quem melhor lida com eles.
Por vezes, me sinto só com os meus.
Engano. Numa tentativa de me fazer especial.
Seria fácil se não fosse doloroso.
Sobressair pelo desgosto.
Mas, logo percebo que somos todos doentes
e de louco todos temos um pouco.
Volto ao mesmo lugar que você, você e você.
E enquanto busco pontuar as diferenças
percebo as semelhanças problemáticas entre nós.
Isso não me traz alívio nem angustia.
Apatia não seria a melhor palavra para designar.
Mas é quase isso.- 7 de março de 2010
- 8:21
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iê iê iê do Arnaldo e de todos nós.
lembra um amigo meu. Um não, vários… rs.
O cd custa R$20 apenas, produzido por Fernando Catatau
é super delícia de ouvir e dançar! As músicas “A casa é sua”
e “Sua menina” são de partir os corações!- 16 de outubro de 2009
- 12:20
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as linhas.
- 17 de setembro de 2009
- 15:04
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Embarque. Embargo.
Quando eu era pequena, bem pequena, desgostei de você.
Foi assim:
Estávamos todos almoçando.
Era frango. Aquele frango de panela que a vovó fazia
e que eu adorava. O dia era de sol, almoçávamos
na mesa de madeira que tinha as cadeiras
também em madeira com estofado verde.
Saia um cheiro daquela mesa…
Um cheiro de madeira que eu nunca
mais senti em nenhum outro lugar.
Um cheiro de tempo, talvez.
Os raios de sol invadiam a mesa
quando o vento fazia a cortina branca
de renda da Nona voar.
Eu estava à direita.
Você bem na minha frente.
Ela na cabeceira, como manda uma matriarca.
A mesa foi posta por mim.
Pratos, talheres, copos e os guardanapos
que cuidadosamente dobrei formando um triângulo.
Com a faca em cima dele, eu imaginava um barco.
Um barco à vela com o qual eu poderia navegar
para bem longe dali. Mas aquilo era apenas
mais um almoço em família em que você comparecia.
Fazia-se presente. Fazia-se notar.
Por sua rebeldia, inteligência e mágoa.Era um dia de sol, eu havia arrumado
todos os lugares na mesa que exalava
o cheiro de madeira mais forte que um dia já senti.
Todos tinham seus barcos do lado direito do prato,
mas ninguém parecia querer sair navegando por aí.
Aguardavam ansiosos a hora da reza acabar.
Sim, lá ainda tinha aquele ritual todo de
agradecer aos alimentos que estavam prestes a ser digeridos.
E eu já tinha minha pressa, naquela época!
Estava feliz com meu lugar perto dela.
Minha dedicação pela Nona sempre foi enorme,
desde bem pequena. Ela me conquistou pela barriga.
Pelo tempero, pela magia da cozinha,
a fumaça. Era quase uma alquimia.
Para mim, vovó era mágica!
No centro da mesa arrumei as comidas
que vinham da cozinha.
Tinha uma salada de tomates meio murchos
com cebolas e eu não gostava nada, nada de cebolas.
Mas tudo bem, sobre a toalha branca de linho fui
organizando as travessas de feijão, de arroz e por último…
A panela do frango. Foi com muita água na boca
que ajeitei a panela de frango e fiquei
esperando pelo meu melhor pedaço.
Sim, vovó sempre o reservava para mim.
Ela sabia o quanto eu adorava seu “franguinho de panela”.
Hoje, como ela não cozinha mais,
herdei a receita.
Mamãe me escreveu quando fui morar sozinha.
Aliás, tenho várias receitas por ela escritas.
Receitas da minha avó, receitas de família.
Coisas básicas como arroz, feijão, omelete,
bifes, mas que foram importantíssimas
para o início da minha vida adulta.Voltando naquele dia, estava sol e a comida
demorou um pouco mais de tempo para ficar pronta.
A reza foi um pouco mais longa,
apesar de estarmos todos famintos.
Até que o Amém nos liberou para servirmos os pratos.
“Graças a Deus” falei baixinho.
Vovó sorriu e começou por mim.
Colocou a coxa do frango no meu prato.
Eu sorri em retribuição.
Ela então colocou uma montanha de arroz
e um mar de feijão. Uma rodela de tomate
e me liberou das cebolas.
Todos serviram-se e não se ouviu mais nem um piu.
Só a mastigação às vezes quebrava o silêncio ou o gelo.
O clima já estava tenso talvez,
eu é que não percebia, que ironia.
Até que você me fez perceber.
Me poupar não estava na sua lista.
Sentado na minha frente, logo começou a criticar
a forma como a vovó comia. E começou a se exaltar
e dizer o quanto ela era porca à mesa,
o quanto faltava à ela educação e
que isso lhe provocava ânsia.
Ânsia ou enjôo, não sei a palavra exata que usou naquele dia.Passava da uma da tarde, eu tinha fome,
mas o frango não me descia.
Meus olhos se encheram de lágrimas e
eu fiquei com aquela coxa de frango na mão,
olhando você gritar com ela.
E levantar-se da mesa.
E gritar cada vez mais alto,
com tanto ódio que eu nunca mais me esqueci.
E toda vez que sinto o cheiro de franguinho assim,
feito na panela, lembro-me desse dia na sala da casa
da minha vó onde o sol invadia,
quando o vento soprava forte na
tentativa de levar seu barco para longe de nós.- 13 de agosto de 2009
- 19:28
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Da para passar em branco?
só
+
dessa vez.
por
favor.(quero ser invisível.)
- 10 de agosto de 2009
- 10:02
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O nó na garganta.
Algumas vezes fico tão angustiada
que me perco chorando no caminho de volta para casa.
E a razão para todo rebuliço
que me embrulha o estômago
deixa de ser clara.
Passa a ser quase tudo o que me rodeia.
Inclusive você.- 5 de agosto de 2009
- 22:46
- 3 comentários
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Só hoje confesso…
- 4 de agosto de 2009
- 22:33
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dimensão
A impressão que eu tenho é que
a medida que eu vou crescendo,
os dilemas crescem comigo.
Somos proporcionais.- 22 de julho de 2009
- 8:42
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Memória – 01.
04.
Teve um dia em que teu pai te batia
e me dizia ao telefone:_A culpa é toda sua!
A culpa é sua da minha mulher estar em depressão.
A culpa é sua por ele estar assim. Não ligue mais.E ele te batia, te batia.
E eu ouvia, do outro lado da linha você chorar.- 15 de julho de 2009
- 17:51
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sonho
Te contei?
Que sonhei com você.
Que te encontrava na rua.
Assim, do nada, no meio de todos.
E parava.
E olhava.
E sorria.
Retribuía aos olhos teus.
Enquanto os outros me diziam que era um absurdo.
Que jamais deveria eu conversar de novo contigo.
Nem dar-lhe ouvidos.
Que deverias pagar por todo mal que nos fez passar.
Te contei?
Que foi um pesadelo.
Desses que depois a gente se pergunta
será que foi verdade?
Pegava-te pelo braço, como fazia de habito.
Te encarava sem medo.
E perguntava algo sobre sua felicidade.
Você me respondia com um gesto sincero.
Eu disfarçava.
A gente se abraçava.
Assim, como se não houvesse mais rancor entre nós.
Como se não houvesse mais espaço
para este tipo de sentimento.
Ou tivéssemos nos curado.
Com o tempo.
E que naquele momento
só desejássemos coisas boas um ao outro.
Te contei?
Que no meu sonho você me parecia
melhor do que realmente é.- 18 de junho de 2009
- 20:05
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