Atelier da lp

  1. A Promoção do Mês!

  2. sábado/domingo

    São 4:46 da manhã e ela não consegue dormir.
    Levanta da cama e de roupão branco caminha pela casa apertada.
    Percebe que é tarde demais para comparecer `a festa de Halloween e cedo demais
    para arrumar a mesa do café da manhã. O sol parece que não vai nascer por
    enquanto. E ela não sabe o que fazer. Pensa em sair para correr, mas
    a esta altura do campeonato, a vila Madalena ainda é fervo de ontem.
    As imagens noturnas a deprimem quando ela não participou da festa.
    E só não participou de festa alguma porque deitou um pouquinho, após o jantar
    só para descansar, depois de tanto trabalhar
    e só acordou por agora. Aos sábados isto virou hábito.

    Abriu os olhos e ainda deitada na cama,
    ao lado dele, pensou: na loja, nas clientes e naquela “cliente”
    que a massacrou por todo mês de outubro. A “cliente do mês”.
    Pensou qe gostaria de fazer um retrato dela e colocar exposto lá na lojinha
    assim como fazem as grandes redes de fast food. Uma homenagem.
    Que bobagem. Riu de si mesma.
    Pensou que o mês acabou.
    Deu graças a Deus.
    Pensou na Rosa, no feriado, no almoço de domingo, na rinite, nas cólicas
    que anda sentindo. Pensou em fazer sexo só para ver se cairia no sono em seguida.
    Mas em seguida pensou que fazer sexo por este fim não chega a ser assim, desejável.
    Ou justo com ele. Para que pensar em justiça nessa hora?
    Quis em ler o jornal, mas ainda não havia chegado `a sua porta.
    Era cedo e tarde demais ao mesmo tempo.
    Assim a ansiedade foi se transformando num monstro.
    Enorme que sentado no sofá junto dela elaborarou
    listas mentais apropriadas `a uma noite de insônia.
    De compras.
    De amigos.
    De problemas.
    Dos livros que gostaria de ler.
    Das coisas que gostaria de fazer amanhã.
    No amanhã de todos.
    Dos escritores novos que admira.
    Dos amigos artistas que gostaria que ficassem mais perto.
    Da vida dos outros.
    De sua própria vida.
    Dos médicos. Hospitais.
    Ruas e avenidas.
    Das coisas que precisavam ser organizadas naquele lugar.
    Levantou e foi para cozinha.
    Ferveu um tanto d’água.
    Preparou um café puro assinando assim o divórcio com a
    noite tranquila.
    E um bolo.
    De fuba.
    Colocou no forno.
    E ficou ali olhando para o fogão
    40 minutos pensando que gostaria mesmo era de relaxar.
    Descansar. Ir na Pinacoteca bem cedo.
    Ver Matisse por lá.
    Mas ficou ali esperando o bolo assar.
    O tempo passar.
    E`as vezes, ouvia o barulho dele
    na cama, procurando por suas pernas.

  3. Piscina

    1661

  4. Jardim.

    Ando exaustivamente pensando sobre o papel do amigo.
    Sim, porque amigo a gente escolhe e cultiva do nosso lado.
    Rega, cuida, aduba e poda.
    Somos nós que decidimos com qual freqüência
    visitaremos este ou aquele amigo.
    É mais ou menos assim, quanto maior o bem estar entre nós,
    mais tempo vou querer estar ao seu lado.
    Provavelmente vou te ver mais do que vejo minha própria família.
    Inevitavelmente irei me preocupar contigo.
    Tentar te alegrar, te adoçar, te trazer um café
    para uma conversa gostosa. De trocas. Justas e equilibradas.
    Seremos uma família à parte.
    De afinidades, respeito, admiração, cuidados, haja tato!

    As relações humanas são muito complicadas.
    Por isso, há quem prefira seguir só para
    não ter que lidar com alguns sentimentos que
    surgem em qualquer relacionamento.
    O ciúme é um exemplo.
    Difícil de lidar, assumir, desapegar.
    É por isso que aos poucos vamos nos afastando
    de algumas pessoas e deixando outras entrar.
    A casa é pequena…
    E na medida que a vida vai passando,
    alguns amigos vão ficando para trás.
    Sem mágoas, porque para quem costuma estar só
    de passagem, é muito fácil dizer adeus.
    Aos que ficam comigo, ofereço um jardim.
    Que acomodem-se bem na medida do possível e
    se esbaldem com tudo o que veêm. Pode pegar!
    Plantei para vocês. Cada flor, cada cor e cheiro.
    Naturalmente do jeito que sou.
    Choro, aconselho, digo o que penso, mas de um jeito
    que sei que não vou te chatear.
    Magoar não é aconselhável aos amigos.
    Então te entrego o melhor que tenho aqui por dentro
    em forma de bolos, abraços, apertos, beijos e palavras
    que cuidosamente escolho para nós.
    Assim, de graça.
    Desde que haja a troca e que você não se torne indiferente.

  5. Me desmisifica.

    Muitas tardes enumero meus defeitos para você.
    Te mostro quão desvantajoso é estar ao meu lado.
    Mas você não acredita…

  6. O nó na garganta.

    Algumas vezes fico tão angustiada
    que me perco chorando no caminho de volta para casa.
    E a razão para todo rebuliço
    que me embrulha o estômago
    deixa de ser clara.
    Passa a ser quase tudo o que me rodeia.
    Inclusive você.

  7. Tombo.

    O amor.
    Me enche.
    Igual bexiga de gás.
    Faz levitar.
    Guiar solta no ar.
    Deixo-me levar.

    Levanto cedo, ganho energia.
    Beijos, abraços, promessas.
    Anseio melhoras.
    Vejo as cores do mundo.
    Sinto muito, tudo.
    Me faz prazer.
    Renova-me.
    As vontades.
    As vantagens de ter com quem
    compartilhar meu dia a dia.

    Mas, em contra partida, se ele acaba me mata.
    Me faz ficar de cama.
    Cheia de angústias e culpas.
    E desejos de te ver por mais uns dias.
    E vontade de sentir de novo a
    novidade que só o amor nos dá.
    Deu.
    É passado. Onde finjo não perceber.
    Faço-me de boba. Tonta, de trouxa.
    Me deixo usar.
    Porque mesmo se você voltar
    e dormir aqui ao meu lado.
    Mesmo que fique por um dia inteiro
    só para me consolar.
    E faça meu almoço, colo, carinho e desculpas.
    De nada adiantará. Mesmo assim eu finjo.
    De propósito, doo.
    Toda angústia assim
    passa a ser maior que nós.
    Corroi-me por dentro.
    Me come.
    Faz um estrago maior.
    Maior que o amor que um dia achamos
    que sentimos um pelo outro.
    Maior que suas mentiras.
    Maior que nossos sonhos.
    Que terminam em pequenas doses de desaforos.

    A angústia.
    Me transborda.
    Igual bexiga de gás.
    Faz levitar.
    Solta no ar.
    E lá em cima, no alto, estoura.

  8. resultado

    Elaborou mentalmente
    e aleatóriamente umas questões para ele.
    Onde a única regra do jogo era
    “Ela faz as regras”.
    E decide quando se acerta ou erra.

    Vamos lá?!
    Escolha!

    Homem ou mulher?
    Saudade ou preguiça?
    Um bom livro ou um bom filme?
    Um bom dia ou uma boa noite?
    Para hoje, aventura ou monotonia?
    Rotina ou roooooootina?
    Um grande amor ou uma bela trepada?
    Um grande amor com muitas belas trepadas ou sucesso na carreira?
    Sucesso na carreira ou família?
    Filhos ou filha(o)?
    Seus amigos ou meus amigos?
    Sua família e minha família ou só nós dois?
    Penne ou bolinho de arroz?
    Café da manhã em casa ou na padaria?
    MAM ou Estação Pinacoteca?
    Praia, areia e vendedores de tudo ou o conforto do nosso lar?
    Cinema da augusta ou da consolação?
    La tartine ou Belfiorinho?
    Festa de casamento ou reunião no bar com amigos recém divorciados?
    Agora aos 30 ou quando tinha 20 anos?
    Erudita ou rock?
    Bolo de fubá ou mexirica?
    Uma tarde na cama ou na livraria?
    Cerveja ou vinho?
    Cuidado ou excessos?
    Cabelos longos ou raspados?
    Salto alto ou tenis?
    TPM ou mal humor sem motivo hormonal?
    Sorriso logo cedo ou no final do dia?
    Doce ou salgado?
    Câncer ou AIDS?
    Bicicleta ou patins?
    Sol ou chuva?
    Sushi ou por favor, qualquer outra coisa?!!
    Meu desenho ou sua música?
    Sexo de manhã, de tarde ou de noite?
    Sexo de manhã, tarde e noite ou préviamente agendado?
    Calada pensando ou soltando palavras amenas sem pensar?
    Amêndoas em cima da salada ou do sorvete?
    Café ou chá?
    Coca-cola?
    Água com ou sem gás?
    Prefere dormir na direita ou na esquerda?
    Teatro ou vida real?
    Rápido ou bem devagar?
    Tranqüila ou normal?
    Cachorro ou gato?
    Vamos dormir agora ou daqui a pouco?
    Desliga a tv? Sim?
    Parabéns, você acertou quase todas…

  9. Pensou nos primeiros 4 minutos do dia:

    Daqui a pouco é agosto.
    Gosto do frio quando está calor
    e do calor quando está frio.
    Nunca estou satisfeita!
    Sexo de manhã me da preguiça de sair da cama.
    Mas tudo bem porque cada dia é mais difícil de sair da cama.
    Se fosse possível, hoje não saía da cama.
    Ser adulto é chato.
    É isso. Sair da cama cedo.
    Não entendo como os adultos
    conseguem ser adultos há tanto tempo.
    E minha mãe que é adulta já há pelo menos 30 anos.
    Coitada. Como ela aguenta?!
    Acho que a solução é mesmo ter uns filhos.
    Mas pensa, onde estariam agora?
    Se Deus existir, bem bonzinho e me achar merecedora,
    dará além de filhos, netos pra mim.
    Tudo em seu tempo e em seu devido lugar.
    Hoje vou caminhando. Definitivamente não gosto de dirigir.
    Nem de me arrumar para casamentos.
    Não me lembro do nome daquele
    seu amigo que se casa no sábado.
    Merda! Preciso lembrar do nome!
    Preciso lembrar do nome!
    Senão, de novo vou chegar na Cleusa Presentes
    como fiz ontem e não saberei a que lista pertencemos.
    Apesar de que, todas as listas devem ser meio iguais.
    Milhares de pessoas se casam neste sábado.
    É… Legal as pessoas casarem.
    [um meio sorriso]
    Ontem você teve uma espécie de ciúme.
    É eu vi! Percebi! Tudo bem vá…
    A noite vou fazer funcionar a nova máquina
    de lavar que ocupa junto da velha toda nossa lavanderia.
    Se é que posso chamar aquilo de lavanderia!
    Vou colocar a máquina velha na sala.
    Tipo decoração. É, uma solução.
    É… Não vejo a hora de mudar.
    Apesar disso nunca ter passado pela minha cabeça!
    Parece perfeito.
    Olha, estou bem humorada!
    Obrigada, a culpa é sua!
    Estou atrasada.
    Merda!
    Ainda tenho que passar na Cleusa,
    me perder nas listas e comprar algo
    com a cara de alguém que não conheço.
    Queria mesmo é comprar uma bicicleta
    e consequentemente um capacete.
    Preciso ir ao médico,
    mas vou tentando me consertar sozinha.
    É meu jeito.
    Xiii, está sangrando meu nariz.
    Igual ontem. E amanhã, provavelmente.
    Gostaria de respirar.
    Mais e melhor.
    Não é nada demais né?!
    Só fazer o ar entrar.
    E sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.
    Ar entrar, ar sair.

  10. Tudo passa…

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Luiza Pannunzio é formada em artes plásticas pela FAAP. Fez pós-graduação na PUC – Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural. Desenhadora. é criadora da personagem Bebê da Cabeça Quadrada e também da menina que carrega um laço gigante na cabeça. Gosta muito de escrever nas horas vagas. Mas que horas vagas? Tem dois filhos – Clarice e Bento e com eles coleciona histórias. Com seu MARIDO junta palavras num tumblr que atende por “diálogos domésticos”. Confecciona roupas incríveis e outros mimos sempre pensando em você. Duvida?! Quer ver?! Espie tudo por aqui...

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