Atelier da lp

  1. Sonhe porque preciso.

    Foi no domingo passado que se deu conta de
    que estava sem um sonho para sonhar.
    Surpreendeu. Preocupou-se em seguida.
    Porque para ela, todos precisam de um sonho para viver.
    Ou um problema para resolver.
    E ela, naquele exato instante não tinha nem um nem outro.
    Foi o que bastou para gerar a grande aflição.
    Não sabe o que houve com seus sonhos.
    Também, jamais pensara sobre isso.
    Onde foram parar?
    Se é que um dia realmente existiram.

    Procurou-os pela gaveta do criado mudo.
    Nos rastros deixados na cama que nem fora por completo desocupada.
    Não havia nada.

    Choramingando, chamou por ele, o marido, que prontamente
    respondeu sua pergunta com mais de cem sonhos
    que aguardam ansiosos realização em seu peito.
    Sonhos mirabolantes ou não, ele tinha os dele.
    Ela não tinha nada.

    Estava vazia e por isso fez-se aí mais um motivo para as lágrimas.
    Que molharam seu pijama e secaram ali mesmo. Morreram.
    Com o passar do tempo, enquanto ele lhe detalhava sonhos.

    Contava sobre a vontade de ser pai que está sendo realizada.
    O desejo de fazer um filme. O sonho de estar ao lado dela que se completara.
    As viagens que ainda quer fazer, projetos, direções que deseja realizar.
    E ela, bem… Ela chorava.
    Pois não tinha um desejo sequer para listar.

    Perdeu a capacidade de sonhar.
    Sozinha.
    Não se pode culpar ninguém por isso.
    Tem levado a vida sem tirar os pés do chão, chata.
    Sem ilusão ou doçura. Sem frescura.

    Pensou em inventar sonhos para o bebê que tem na barriga.
    Assim, não deixariam de ser também um pouco seus.
    Mas a lucidez dela falou mais alto que bem baixinho repetiu no ouvido dele:

    _ Seria uma injustiça. É assim que se estraga uma criança.
    Depositando suas expectativas nela. Preciso ter um sonho próprio.

    Olhou ao redor e nada te pertencia.
    Ou nada do que sonhara um dia, estava ali, recheando o ambiente.
    Ou ainda, tudo aquilo que enfeitava o todo, jamais fora sonhado por ela.
    Que apesar disso, vivia bem, feliz, obrigada.
    Até se perceber sem sonho ou problema.

    Foi então, que ele encontrou uma única solução.
    Era preciso sair do quarto. Ver a vida do lado de fora.
    Tirar o pijama e colocar uma roupa qualquer (que lhe caiba) para passear.

    E em São Paulo, passeia-se aos domingo no parque. Lotado.
    Ela não sonha com isso. Nem em seu pior pesadelo.
    Mas foi para lá que ele a carregou. Emburrada, desiludida da vida.
    Misturaram-se aos outros, todos, tantos, cheios de sonhos.
    Tomaram água de coco e viram uma exposição no MAM.

    Não havia tristeza nela.
    Mas um inconformismo.
    Sentia-se oca, numa fase da vida em que as
    pessoas esperam dela plenitude.
    Pelo menos é o que dizem quando a
    veêm passar com sua barriga de quase um metro.

    Aliás, desde que engravidou,
    ouviu tantos elogios esquisitos que começou a anotá-los
    em seu moleskine para tentar entender o que
    realmente as pessoas querem dizer.
    Palavras como repleta, iluminada e reluzente,
    passaram a fazer parte do seu cotidiano.
    Estranho.

    _ Você não gostaria de por exemplo, ter seus trabalhos nas paredes de cá?
    _Não.
    _Você não quer ter seus desenhos publicados? Um livro com todos eles?
    _Não sonho com isso.
    _E as poesias?
    _Faço-as sem que haja nada em troca.
    _Você não deseja mais sucesso com as roupas?
    _Mais? Do tipo, virar uma marca gigante? Não.
    _Não é possível.
    _Não…

    De fato, naquele domingo, se deu conta de que
    jamais sonhara coisas para si.
    Não que achasse isso perda de tempo.
    Apenas não foi estimulada a sonhar e sim realizar.
    Então, na vida foi fazendo. Assim, sem planejamento.

    E para fazer tudo o que julga essencial e
    necessário, precisa trabalhar tanto,
    mas tanto, que não sobra tempo.
    A vida vai acontecendo com ela.
    Como se estivesse num grande rio e a
    correnteza a te carregar.
    Segue amando, vai crescendo, brigando,
    separando, conhecendo, juntando, afogando,
    bebendo, brindando, engordando,
    emagrecendo, desenhando, fotografando,
    esquecendo. Ela vai vivendo.
    Não sei se é o certo, nem mesmo se é mais fácil.
    Talvez, seja só mais um jeito de viver.
    Aceitando o que a vida tem a oferecer.
    Sem pedir nada em troca.

    Mas ao final do domingo, tamanho era o incomodo
    que sentira o dia todo por não ter um sonhinho sequer,
    que colocou a imaginação para trabalhar e do ócio nasceu O SONHO.

    _Agora eu tenho um. Mas, sonho se realiza se eu te contar?

    Ele sorriu, apenas.

    Ela foi se deitar tranquila com o peito cheio de leite e
    de um sonho solo tão simples que se lhe contasse, pareceria bobo.

    Sonha envelhecer com dignidade.

    _O que eu posso te dizer é que meu sonho é enorme!
    Vale por uma vida inteira!

  2. meamas?

    Se te amo?
    Eu me encosto.
    Te acho no meio da noite.
    Te imploro por tandrilax.
    Um copo d’água.
    Beijos na boa logo que acordo.
    Concorda que te amo?
    Te chamo. Proclamo! Reclamo.
    Meu bem, amor, te quero, vem.
    Te amo por inteiro
    Pelo avesso.
    De cima embaixo.
    Te amo de lado.
    Do teu lado.
    De TPM. E aí é que vc
    mostra que também me ama.
    Me aguenta.
    Faz carinho e espera passar.
    Sábia decisão de só que sabe amar.

    (resposta ao e.mail de agora pouco)

  3. Disposição ao engano.

    Para caminhar ao seu lado foi preciso aprender outro ritmo.
    Suas pernas, muito maiores, ensinaram a correr.
    Difícil, apesar do alegre compasso. Mais alto. Mais largo.
    Prazeroso amor. Quase delinquência.
    Aconteceu assim, sem querer.
    Num domingo, descendo a rua augusta.
    Que ideia foi aquela que funcionou?
    Era outono e o vento no rosto enxugou as lágrimas.
    Abriram seus olhos. Libertos.
    Para acompanhá-lo.

    Desde então, teve que fazer os olhos,
    preguiçosos que eram,
    percorrerem mapas de geografia.
    Matéria esta ignorada por ela
    desde o início de vida escolar.
    Olhos estes jamais navegados pelos
    caminhos por onde andou.
    Não se assustou, nem deslumbrou e por vezes,
    reunidos, achou chato. Um porre. Um saco.
    Mas calou. Seus olhos sempre estiveram por
    demais ocupados com detahes.

    Desde os oito, os olhos dela eram viciados
    em estantes alheias. Adoravam as da pequena
    biblioteca do colégio em que estudava.
    Percorria-as através de suas cores até
    ao lugar mais alto que podia enxergar.
    De óculos escolhia, apontando para o alto.
    Pequena e dona grandes dores de cabeça,
    recomendaram-lhe óculos para descanso.
    Puro engano. Jamais descansou com eles.
    Esta parceria não levava a regalias.
    Literatura ou filosofia, na era dos óculos ela
    se desafiava o tempo inteiro. Virou hábito.
    Começava escolhendo sempre o
    livro mais difícil de alcançar. De ler, folhear.
    Sem preguiça. Esqueceu dos clássicos.
    Ignorou “Polyana”, mas “O Bichinho da Maçã”
    lhe fora inesquecível.

    Por isso não houve à eles,
    os olhos, falta de lazer. Nem à ela.
    Nem aos óculos. Nem viagens.
    Muito menos histórias para contar.

    Mas como explicar estas diferenças de olhar entre eles?
    Ela e ele.
    Ou o que fazer com elas, as diferenças?
    Somar? Multiplicar? Sonhar?
    Seriam possíveis, eles, tão diferentes no modo de ver a vida?

    A impressão que fica é que ela sempre esteve aqui.
    Sem sair do lugar, aguardando ele chegar.
    Para contar-lhe com detalhes o mundo do lado de lá.
    Enquanto mantém sem disfarces os olhos fixos na estante mais próxima.

  4. A Promoção do Mês!

  5. sábado/domingo

    São 4:46 da manhã e ela não consegue dormir.
    Levanta da cama e de roupão branco caminha pela casa apertada.
    Percebe que é tarde demais para comparecer `a festa de Halloween e cedo demais
    para arrumar a mesa do café da manhã. O sol parece que não vai nascer por
    enquanto. E ela não sabe o que fazer. Pensa em sair para correr, mas
    a esta altura do campeonato, a vila Madalena ainda é fervo de ontem.
    As imagens noturnas a deprimem quando ela não participou da festa.
    E só não participou de festa alguma porque deitou um pouquinho, após o jantar
    só para descansar, depois de tanto trabalhar
    e só acordou por agora. Aos sábados isto virou hábito.

    Abriu os olhos e ainda deitada na cama,
    ao lado dele, pensou: na loja, nas clientes e naquela “cliente”
    que a massacrou por todo mês de outubro. A “cliente do mês”.
    Pensou qe gostaria de fazer um retrato dela e colocar exposto lá na lojinha
    assim como fazem as grandes redes de fast food. Uma homenagem.
    Que bobagem. Riu de si mesma.
    Pensou que o mês acabou.
    Deu graças a Deus.
    Pensou na Rosa, no feriado, no almoço de domingo, na rinite, nas cólicas
    que anda sentindo. Pensou em fazer sexo só para ver se cairia no sono em seguida.
    Mas em seguida pensou que fazer sexo por este fim não chega a ser assim, desejável.
    Ou justo com ele. Para que pensar em justiça nessa hora?
    Quis em ler o jornal, mas ainda não havia chegado `a sua porta.
    Era cedo e tarde demais ao mesmo tempo.
    Assim a ansiedade foi se transformando num monstro.
    Enorme que sentado no sofá junto dela elaborarou
    listas mentais apropriadas `a uma noite de insônia.
    De compras.
    De amigos.
    De problemas.
    Dos livros que gostaria de ler.
    Das coisas que gostaria de fazer amanhã.
    No amanhã de todos.
    Dos escritores novos que admira.
    Dos amigos artistas que gostaria que ficassem mais perto.
    Da vida dos outros.
    De sua própria vida.
    Dos médicos. Hospitais.
    Ruas e avenidas.
    Das coisas que precisavam ser organizadas naquele lugar.
    Levantou e foi para cozinha.
    Ferveu um tanto d’água.
    Preparou um café puro assinando assim o divórcio com a
    noite tranquila.
    E um bolo.
    De fuba.
    Colocou no forno.
    E ficou ali olhando para o fogão
    40 minutos pensando que gostaria mesmo era de relaxar.
    Descansar. Ir na Pinacoteca bem cedo.
    Ver Matisse por lá.
    Mas ficou ali esperando o bolo assar.
    O tempo passar.
    E`as vezes, ouvia o barulho dele
    na cama, procurando por suas pernas.

  6. Nasce mais uma estrela do mundo da moda.

  7. mini desenhos + coisas de vestir e usar!

    mini
    * os desenhos pertencem aos monóculos!!!

  8. cor de rosa

    docinhos

    sainha de laço $99,90
    vestido de brocado $249,90
    corpete de bolinha $119,90
    bolsa $95,00

  9. no jornal Folha de SP

    fsp

    24 de outubro 2009
    produção de Aline Prado

  10. Monóculos!

    mono

    aceito encomendas: )

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lp

Apesar do nome, pouco sabe sobre música. É formada em Artes Plásticas pela FAAP. Pós-Graduação em Comunicação com ênfase em Jornalismo Cultural pela PUC-SP. Trabalha com moda desde menina - estilista.
Desenha poesias e gosta muito de escrever.

Ball's place
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