Atelier da lp
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Lugar Comum.
Passou quase um ano desde o último contato.
Onde não houve amor.
Por isso, era preciso encontrar alguém que
combinasse com ela.
Pré-requisito, disposição à amar.
Por que?
Acredita nele.
Não no dele.Para ela, amor é sinônimo de cuidados,
bons tratos, carinho, sexo, amizade, cumplicidade.
Quer dizer, para aquela guria, tudo isso junto significava amor.Conclusão, a união dali desfeita foi por conta
da pele deles que combinava.
Simples assim.
O cheiro deles era bem conveniente.
A atenção jamais fora dispensada.
Mas não era amor.Nem sempre é ou se torna.
Aliás, raramente.
Na maior parte dos casos, resulta em nada.
Quando não em ódio, depressão, abandono.
O deles foi o pior.
Acabou com uma palavra.
Saudade.
Por preferirem manter distância.Um tropeço.
Muitas dúvidas.
Ela se achava mal interpretadas enquanto tentava entender
o que vinha da direção daquele um.
Louca.Perderam-se no tempo.
Distraíram-se com os outros.
Estudaram todas as inúmeras possibilidades.
Isso leva tempo…
E quando de novo encontraram-se,
inevitavelmente, era tarde.
Viraram uma história qualquer.Depois de meses à procura daquilo que acharam
que um dia sentiram um pelo outro em outros,
descobriram o engano.Despistaram a infelicidade com drogas,
amigos, bebidas e música bem alta.
Para não haver diálogo. Só sexo. Sem envolvimento.
Como se isso fosse possível.
“Aqui, só há troca de fluídos!” avisava ele.
Ou nem isso.Engajaram-se em outras turmas.
Encaixaram-se em outras pessoas.
E acabaram exaustos.
E com saudade.Desviando deles mesmos.
Por não haver outro jeito.
Pois não sabiam lidar com o fomento de dentro do peito.
O mesmo que fazia as pernas dela tremerem ao vê-lo passar.E ela o viu passar, uma, duas,
5 mil vezes bem na sua frente.
Até ele passar despercebido.
Alguém a cutucar pelas costas e dizer
“Viu quem está ali?!”.
Mas era tarde.Não é triste?
- 16 de dezembro de 2009
- 19:55
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Disposição ao engano.
Para caminhar ao seu lado foi preciso aprender outro ritmo.
Suas pernas, muito maiores, ensinaram a correr.
Difícil, apesar do alegre compasso. Mais alto. Mais largo.
Prazeroso amor. Quase delinquência.
Aconteceu assim, sem querer.
Num domingo, descendo a rua augusta.
Que ideia foi aquela que funcionou?
Era outono e o vento no rosto enxugou as lágrimas.
Abriram seus olhos. Libertos.
Para acompanhá-lo.Desde então, teve que fazer os olhos,
preguiçosos que eram,
percorrerem mapas de geografia.
Matéria esta ignorada por ela
desde o início de vida escolar.
Olhos estes jamais navegados pelos
caminhos por onde andou.
Não se assustou, nem deslumbrou e por vezes,
reunidos, achou chato. Um porre. Um saco.
Mas calou. Seus olhos sempre estiveram por
demais ocupados com detahes.Desde os oito, os olhos dela eram viciados
em estantes alheias. Adoravam as da pequena
biblioteca do colégio em que estudava.
Percorria-as através de suas cores até
ao lugar mais alto que podia enxergar.
De óculos escolhia, apontando para o alto.
Pequena e dona grandes dores de cabeça,
recomendaram-lhe óculos para descanso.
Puro engano. Jamais descansou com eles.
Esta parceria não levava a regalias.
Literatura ou filosofia, na era dos óculos ela
se desafiava o tempo inteiro. Virou hábito.
Começava escolhendo sempre o
livro mais difícil de alcançar. De ler, folhear.
Sem preguiça. Esqueceu dos clássicos.
Ignorou “Polyana”, mas “O Bichinho da Maçã”
lhe fora inesquecível.Por isso não houve à eles,
os olhos, falta de lazer. Nem à ela.
Nem aos óculos. Nem viagens.
Muito menos histórias para contar.Mas como explicar estas diferenças de olhar entre eles?
Ela e ele.
Ou o que fazer com elas, as diferenças?
Somar? Multiplicar? Sonhar?
Seriam possíveis, eles, tão diferentes no modo de ver a vida?A impressão que fica é que ela sempre esteve aqui.
Sem sair do lugar, aguardando ele chegar.
Para contar-lhe com detalhes o mundo do lado de lá.
Enquanto mantém sem disfarces os olhos fixos na estante mais próxima.- 16 de novembro de 2009
- 13:41
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sábado/domingo
São 4:46 da manhã e ela não consegue dormir.
Levanta da cama e de roupão branco caminha pela casa apertada.
Percebe que é tarde demais para comparecer `a festa de Halloween e cedo demais
para arrumar a mesa do café da manhã. O sol parece que não vai nascer por
enquanto. E ela não sabe o que fazer. Pensa em sair para correr, mas
a esta altura do campeonato, a vila Madalena ainda é fervo de ontem.
As imagens noturnas a deprimem quando ela não participou da festa.
E só não participou de festa alguma porque deitou um pouquinho, após o jantar
só para descansar, depois de tanto trabalhar
e só acordou por agora. Aos sábados isto virou hábito.Abriu os olhos e ainda deitada na cama,
ao lado dele, pensou: na loja, nas clientes e naquela “cliente”
que a massacrou por todo mês de outubro. A “cliente do mês”.
Pensou qe gostaria de fazer um retrato dela e colocar exposto lá na lojinha
assim como fazem as grandes redes de fast food. Uma homenagem.
Que bobagem. Riu de si mesma.
Pensou que o mês acabou.
Deu graças a Deus.
Pensou na Rosa, no feriado, no almoço de domingo, na rinite, nas cólicas
que anda sentindo. Pensou em fazer sexo só para ver se cairia no sono em seguida.
Mas em seguida pensou que fazer sexo por este fim não chega a ser assim, desejável.
Ou justo com ele. Para que pensar em justiça nessa hora?
Quis em ler o jornal, mas ainda não havia chegado `a sua porta.
Era cedo e tarde demais ao mesmo tempo.
Assim a ansiedade foi se transformando num monstro.
Enorme que sentado no sofá junto dela elaborarou
listas mentais apropriadas `a uma noite de insônia.
De compras.
De amigos.
De problemas.
Dos livros que gostaria de ler.
Das coisas que gostaria de fazer amanhã.
No amanhã de todos.
Dos escritores novos que admira.
Dos amigos artistas que gostaria que ficassem mais perto.
Da vida dos outros.
De sua própria vida.
Dos médicos. Hospitais.
Ruas e avenidas.
Das coisas que precisavam ser organizadas naquele lugar.
Levantou e foi para cozinha.
Ferveu um tanto d’água.
Preparou um café puro assinando assim o divórcio com a
noite tranquila.
E um bolo.
De fuba.
Colocou no forno.
E ficou ali olhando para o fogão
40 minutos pensando que gostaria mesmo era de relaxar.
Descansar. Ir na Pinacoteca bem cedo.
Ver Matisse por lá.
Mas ficou ali esperando o bolo assar.
O tempo passar.
E`as vezes, ouvia o barulho dele
na cama, procurando por suas pernas.- 1 de novembro de 2009
- 4:48
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no jornal Folha de SP
- 27 de outubro de 2009
- 14:56
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Eu queria…
- 21 de outubro de 2009
- 20:23
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Ball´s na Folha de São Paulo
- 16 de outubro de 2009
- 16:36
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É festa!
- 15 de outubro de 2009
- 17:36
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Piscina
- 8 de outubro de 2009
- 20:20
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Escola
- 20:08
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Acontece!
- 23 de setembro de 2009
- 14:39
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